O Bradesco apresentou resultados sólidos no terceiro trimestre, marcando o 11º período seguido de crescimento no lucro líquido, mas o cenário econômico atual impõe barreiras importantes.
Apesar do avanço financeiro, o banco lida com uma elevação na taxa de atrasos nos pagamentos, especialmente em setores sensíveis como o agronegócio e o varejo de pessoa física.
A cautela agora guia os próximos passos da diretoria, que monitora de perto os impactos da taxa Selic e da política fiscal brasileira, conforme divulgado pelo Estadão.
Estratégia de recuperação do Bradesco enfrenta pressão da inadimplência e juros elevados
O lucro líquido recorrente do Bradesco atingiu R$ 7,1 bilhões, representando uma alta de 14,6% em relação ao ano passado. No entanto, o crescimento frente ao trimestre anterior foi de apenas 0,8%.
O Retorno sobre o Patrimônio (RoE) ficou em 15,6%, um número que reflete os desafios de rentabilidade. Esse índice foi impactado por um aumento de capital de R$ 10 bilhões realizado recentemente pela instituição.
Para proteger seu balanço, o banco tem focado em operações de crédito com garantia. Embora mais seguras, essas linhas oferecem margens menores, o que exige um controle rigoroso de custos e eficiência operacional.
Os principais fatores para a alta dos calotes
A inadimplência acima de 90 dias subiu de 4,3% em junho para 4,6% em setembro. O crescimento foi puxado pelo setor rural e por linhas de cartão de crédito voltadas ao público de baixa renda.
O banco John Deere, focado no financiamento de maquinário agrícola e recém-adquirido pelo grupo, também contribuiu para esse movimento. O setor enfrenta um momento de maior pressão financeira no campo.
Nas pequenas e médias empresas, o fim de carências de programas governamentais de crédito ajudou a elevar os índices de atraso. O banco agora aguarda o prazo legal para acionar as garantias dessas operações.
A visão da diretoria sobre o cenário econômico
O presidente do Bradesco, Marcelo Noronha, destacou que a taxa Selic em dois dígitos e as incertezas fiscais exigem que a instituição ande mais devagar na concessão de novos empréstimos para o mercado.
Noronha afirmou que, se a economia tivesse ventos favoráveis, com juros abaixo de 10%, a carteira de crédito poderia crescer 20%. No momento atual, o comprometimento da renda das famílias exige muita prudência.
Mesmo com o aumento das provisões para devedores duvidosos, que chegaram a R$ 10,6 bilhões, o executivo assegura que a carteira do banco está sob controle e é mais segura que a média do sistema financeiro.
O que o mercado espera para os próximos anos
Analistas da Genial Investimentos acreditam que o Bradesco preserva sua trajetória de recuperação, mas alertam que não há margem para erros. O próximo estágio dependerá de crescer sem piorar a qualidade dos ativos.
Já a equipe do BTG Pactual questiona se o banco ainda tem fôlego para manter o ritmo de crescimento do lucro. Eles veem um ponto de partida mais difícil para as projeções de ganhos até o ano de 2027.
Apesar das dúvidas na Faria Lima, o Bradesco conseguiu compensar parte das perdas com um desempenho forte em receitas de serviços e cartões, mantendo o plano de transformação estratégica em pleno curso.
A fonte original desta notícia é o Estadão, e você pode conferir os detalhes completos na matéria original em Estadão | As Últimas Notícias do Brasil e do Mundo.







