O cenário corporativo vive um momento de transição intensa com o fim das restrições globais. Enquanto muitas gigantes pressionam pelo retorno presencial, outras descobriram um novo caminho de sucesso e liberdade.
A discussão sobre eficiência e bem-estar ganhou novos capítulos durante o Rio Innovation Week. Especialistas debateram se a presença física é realmente essencial para a cultura e os resultados das companhias.
O impacto dessa escolha reflete diretamente na retenção de talentos e na agilidade operacional das startups modernas, que veem na flexibilidade um diferencial competitivo, conforme divulgado pelo Estadão.
A revolução do trabalho remoto e a produtividade nas empresas
Durante a pandemia, o trabalho remoto se tornou a regra para evitar aglomerações. Com a volta à normalidade, a vacância de escritórios caiu de 25,1% em 2021 para 14,3% este ano, segundo a consultoria Newmark.
Apesar desse movimento de retorno, a fintech RecargaPay mantém o modelo 100% remoto desde antes da crise sanitária. A empresa conta hoje com 500 colaboradores espalhados por 100 cidades em diversos países do mundo.
Para Miguel Perdigão, gerente da fintech, o modelo é um aliado na retenção de profissionais. Muitos concorrentes exigem o presencial, o que torna a liberdade de trabalhar de casa um atrativo irresistível para os talentos.
O impacto do modelo flexível na retenção de talentos
André Chiarini, da Spare Partners, afirma que a presença física é vital para operações de logística e armazéns. Contudo, ele mantém o setor corporativo totalmente remoto, o que gerou ganhos claros de produtividade.
Segundo Chiarini, o modelo faz diferença na disponibilidade das pessoas para reuniões e na troca de ideias. A empresa, que opera no Brasil e no Peru, utiliza essa flexibilidade como uma ferramenta poderosa de recrutamento.
Na plataforma de RH Buk Brasil, o sucesso começa na contratação de pessoas engajadas. Christian Brech, gerente da empresa, destaca que busca colaboradores que compartilhem o propósito da marca, evitando controles invasivos.
Cultura organizacional além do cafézinho presencial
Um dos maiores argumentos para a volta aos escritórios é a manutenção da cultura. No entanto, Perdigão argumenta que a cultura não se constrói apenas em momentos informais, como o café no meio da tarde, mas nas operações.
Para o executivo, a estrutura horizontal e a rapidez na resolução de problemas imprimem a identidade da empresa à distância. A cultura se manifesta na forma como as decisões são tomadas e no progresso real dos projetos.
Christian Brech reforça que a base de tudo é a confiança. Quando os processos são claros, os funcionários se sentem parte dos projetos, independentemente de estarem fisicamente juntos ou a quilômetros de distância.
O futuro dos nômades digitais no mercado brasileiro
O sonho de ser um nômade digital tornou-se mais raro com a pressão pelo retorno presencial. Chiarini acredita que o setor de tecnologia é o único que ainda sustenta plenamente esse estilo de vida atualmente.
No entanto, o programa “Work from Anywhere” da Buk mostra que é possível. Com 86% dos funcionários felizes no modelo remoto, a empresa permite que mais de 2 mil pessoas trabalhem de onde desejarem, com autonomia.
Perdigão defende que o remoto não deve obrigar o funcionário a ficar em casa. Ele cita o exemplo de um colaborador que trabalhou normalmente enquanto fazia uma longa viagem de trailer, provando que o escritório é onde você está.
A fonte original é o Estadão.







