O cenário do mercado de trabalho brasileiro passou por mudanças profundas, atingindo a marca de 2 milhões de pessoas atuando em plataformas digitais em 2025. Esse número representa cerca de 1,9% de toda a população ocupada no país.
Esse contingente utiliza aplicativos para transporte de passageiros, entregas de comida ou prestação de serviços diversos. Para a grande maioria, essa é a única ou principal fonte de renda familiar atualmente, evidenciando a dependência digital.
Os dados fazem parte da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua, que investigou a fundo o perfil socioeconômico e as condições desses profissionais, conforme divulgado pelo Estadão.
Desafios e o perfil do trabalho por aplicativo no Brasil em 2025
O perfil do trabalhador de plataformas é majoritariamente masculino, com os homens representando 84,4% do total. A faixa etária predominante é a de jovens adultos, entre 25 e 39 anos, que somam quase metade do grupo analisado.
Em termos de escolaridade, 62,5% dos plataformizados possuem ensino médio completo ou superior incompleto. Esse índice é significativamente maior do que o registrado entre os trabalhadores que não utilizam aplicativos no dia a dia.
A pesquisa aponta que 86,8% desses profissionais atuam por conta própria. Enquanto isso, o número de empregados com carteira assinada dentro desse setor é muito baixo, representando apenas 4,5% do total de ocupados nas plataformas.
Os principais motivos para buscar as plataformas
A flexibilidade de horários e dias de trabalho é o fator mais citado para a escolha, apontado por 26,8% dos entrevistados. No entanto, a dificuldade de inserção no mercado tradicional também pesa muito nessa balança.
Para 24,6% dos trabalhadores, o motivo principal é não conseguir encontrar outro trabalho. Já para 20,8%, o rendimento nos aplicativos é considerado maior do que em outras opções disponíveis no mercado de trabalho atual.
Entre aqueles que exercem o trabalho em plataforma como uma atividade secundária, o desejo de complementar a renda é quase unânime, atingindo 87,7%. O Sudeste concentra a maior parte desses profissionais, com mais de 1 milhão de pessoas.
Jornada exaustiva e ganhos menores que o mercado comum
Os profissionais de aplicativos cumprem uma jornada média de 44,7 horas semanais. Esse tempo é 5,4 horas superior à carga horária dos demais trabalhadores do setor privado, que registram uma média de 39,3 horas por semana.
Embora o rendimento médio mensal seja similar ao mercado tradicional, cerca de R$ 3.147, o valor recebido por hora é 12% inferior. Enquanto um trabalhador comum ganha R$ 18,40 por hora, o de aplicativo recebe R$ 16,20.
Essa diferença salarial por hora trabalhada reforça os desafios de sustentabilidade financeira para quem depende exclusivamente dessas ferramentas. O esforço físico e temporal acaba sendo maior para equiparar os rendimentos mensais.
O futuro com carros autônomos e tecnologia
Enquanto o Brasil lida com questões de precarização e renda, tecnologias como o Uber sem motorista começam a ser testadas em locais como Austin, nos Estados Unidos, em parceria com a empresa Waymo.
Gustavo Geaquinto Fontes, analista do IBGE, afirmou que as plataformas oferecem renda, mas trazem dilemas. “As plataformas têm oferecido oportunidades de geração de renda, mas representam um importante desafio para as condições de trabalho”, destacou.
O especialista ressaltou ainda que, mesmo com a suposta flexibilidade para escolher horários, a jornada de trabalho acaba sendo substancialmente superior à do mercado não plataformizado, exigindo atenção das autoridades e reguladores.
A fonte original desta notícia é o Estadão, e você pode conferir os detalhes completos na matéria original em: Estadão | Pesquisa IBGE 2025.




