A Congress Avenue pulsa no centro de Austin e também será o novo endereço da SP House, iniciativa do Governo de São Paulo que se consolidou como um hub internacional de geração de negócios e economia criativa no SXSW, o maior festival de tecnologia, cultura e tendências do mundo. Mais do que um espaço de programação, a SP House funciona como ponto de encontro estratégico para conectar empresas, startups, investidores e criadores brasileiros ao mercado global.

Sob o tema “We are borderless”, a edição de 2026 reforça essa vocação internacional ao posicionar São Paulo como um território aberto a ideias, talentos e investimentos, promovendo conexões que ultrapassam fronteiras geográficas e setores econômicos.

A iniciativa do Estado vai ocupar, entre os dias 13 e 16 de março, 2.200 m² na principal avenida da cidade, ao lado de ativações da Apple, Netflix e Paramount, próxima aos principais eventos do festival. A mudança de endereço tem contexto: o Austin Convention Center, sede histórica do evento, foi demolido para reconstrução e o SXSW se redistribuiu pela cidade. Assim, a charmosa Congress Avenue voltou a concentrar o festival, e a SP House acompanhou esse movimento para crescer junto com ele. “A gente está aqui desde ontem comentando como foi acertada a decisão de trazer a casa para a Congress”, diz Julia Saluh, diretora de Relações Internacionais da InvestSP.

A história começou em 2023, quando a secretária da Cultura, Economia e Indústria Criativas, Marilia Marton, esteve pela primeira vez no SXSW e saiu com uma certeza e uma ambição: o festival era o lugar certo para posicionar São Paulo no circuito global de inovação e negócios. Em 2026, a SP House chega à sua terceira edição consolidando essa estratégia: usar o SXSW como vitrine internacional para conectar talentos e projetos brasileiros a oportunidades globais de investimento e parceria.

Evolução em números

A trajetória da SP House é marcada por crescimento consistente. Em 2024, primeiro ano da casa, foram 10,5 mil visitantes de 52 nacionalidades e expectativa de impacto econômico de R$ 102 milhões. Em 2025, o salto: 15 mil visitantes de 64 nacionalidades e R$ 172 milhões em impacto projetado. Para 2026, a estrutura física cresceu pouco mais de 20% em capacidade de circulação, com espaços mais confortáveis e pensados para ampliar os encontros de negócios.

“Nos últimos anos, a gestão nos deu mais espaço para que a gente fizesse mais missões, apoiasse mais empresas e participasse de mais vitrines internacionais”, resume Saluh.

Acertar na fluidez

A evolução da SP House passa por escolhas que foram alteradas, num aprendizado contínuo. No primeiro ano, a programação foi organizada por trilhas temáticas fixas: um dia para cultura, outro para inovação, outro para sustentabilidade. O resultado foi que cada tribo apareceu no seu dia e foi embora sem se cruzar com as outras. “A gente percebeu que era legal, porque você trazia públicos diferentes, mas ao mesmo tempo a gente perdia as conexões transversais, que são o que há de mais valioso no SXSW”, conta Marton.

No ano seguinte, a resposta foi aumentar o volume de conteúdo. Novo problema: o excesso gerou conflito de agenda e voltou a isolar públicos. Por isso, a aposta de 2026 é conteúdo mais direcionado, mais potência, e tudo misturado. No mesmo dia, no mesmo espaço, inteligência artificial convive com saúde, cultura com impacto social, startup com produtora periférica. “Essa fluidez precisa se entranhar. Se a gente está falando de repertórios, de vivências, de experiências, de novas visões, as pessoas precisam se conectar, precisam quebrar essas bolhas”, diz Marton.

A curadoria é liderada por Franklin Costa e inclui palestrantes de projeção global: Amy Webb, Amy Gallo (Harvard Business Review), Ian Beacraft, Sandy Carter, Kasley Killam e Neil Redding.

Negócios como objetivo

Por trás da programação cultural e dos painéis de tendências, há uma métrica objetiva. “Gerar negócios é o nosso objetivo final. A gente cria as oportunidades para que as empresas que apoiamos venham aqui, façam reuniões, encontrem pessoas. Os resultados são medidos nos 12 meses seguintes, a mesma métrica de qualquer feira internacional, da indústria criativa ao parafuso”, afirma Saluh.

Para isso, a SP House 2026 reúne, pela primeira vez, empresas de diferentes programas estaduais: o CreativeSP, da Secretaria da Cultura, e o SP Global Tech, da Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação. Mais setores, mais chances de conexão.

Criatividade não é só cultura

Um dos argumentos mais provocadores da SP House é o de que ela se recusa a ser reduzida. “As pessoas costumam associar a criatividade à cultura, mas criatividade está focada no processo de criar, e esse processo não está numa única linguagem. Ele passa por alta tecnologia, por matemática, por física, por biologia”, afirma Marton. “O Brasil tem isso e o mundo não imagina.”

É esse Brasil de múltiplas camadas que a casa quer mostrar. São Paulo como polo de energia de hidrogênio verde. São Paulo com o Instituto Butantan lançando vacinas inovadoras. São Paulo como base de operações da Toyota, da Dell e da Oracle, empresa americana que instalou um de seus dois centros globais de inovação na cidade. Narrativas com visibilidade global que têm endereço paulista, mas falam por um país inteiro.

A casa é, formalmente, uma iniciativa do Estado de São Paulo. A intenção, porém, é que vá além disso. “Quanto mais a gente tiver o envolvimento de empresas parceiras e municípios parceiros, a gente vai naturalmente gerar mais negócios e as pessoas vão saber que aqui é o ponto focal”, diz Marton. Campinas e São José dos Campos já estão no radar para edições futuras. Projetos de todo o País encontram na SP House sua vitrine internacional.

Fonte: Estadão | As Últimas Notícias do Brasil e do Mundo

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