Quem ganha mais: engenheiro em SP, militar no exterior ou juíz em Goiás? Veja vídeo

No Chama o Nery desta semana, colunista do ‘Estadão’ traz mais um capítulo da Copa das Profissões. Crédito: TV Estadão

Leia a transcrição na íntegra de Chama o Nery desta semana:

– Quem ganha mais? – Engenheiro em São Paulo ou juiz em Goiás? – Juiz em Goiás. – Médico em Santa Catarina ou promotor no Pará? – Promotor no Pará. – Desenvolvedor de software em São Paulo ou militar no exterior? – Militar no exterior. – Economista no Rio ou promotor em Rondônia? – Promotor em Rondônia ganha mais.

Semifinal: – Juiz em Goiás ou promotor no Pará? – Juiz em Goiás. – Militar no exterior ou promotor em Rondônia? – Promotor em Rondônia. Final: Juiz em Goiás ou promotor em Rondônia? – Juiz em Goiás.

A gente segue aqui no Estadão com a nossa Copa das Profissões que evidencia mais uma vez a exuberância dos supersalários nos poderes autônomos, Poder Judiciário e Ministério Público.

E faz pensar: muita gente gosta de compartilhar em material dizendo que os Estados mais ricos do Brasil, tipo São Paulo, sustentam benefícios, beneficiários de programas sociais nos Estados das regiões Norte, Centro-Oeste, Nordeste, porque esses Estados recebem em tese mais do que eh pagam para a União. Esse tipo de dado faz a gente pensar sobre o que você sustenta, afinal, quando paga esses impostos.

Será que é mesmo beneficiário de programa social ou no fim das contas não é supersalário de juiz, desembargador, promotor e procurador?

Porque de fato esses supersalários que nós estamos mostrando mais uma vez aqui hoje vêm do orçamento de Estados que, ao fim e ao cabo, recebem transferências da União.

O ministro Edson Fachin, presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), fez mais uma fala dura nessa semana contra os penduricalhos. Ele disse que o Poder Judiciário não nasceu como uma casta de privilégios e que a remuneração dos agentes públicos deve respeitar a Constituição.

A gente sabe que no caso dos supersalários que temos observado nos últimos anos frequentemente dependem do pagamento de verbas que não estão previstas na Constituição, nem sequer estão previstas em lei, como a lei orgânica da magistratura. Mas vêm de decisões administrativas que permitem o pagamento das verbas indenizatórias, as licenças, as indenizações por acúmulo de trabalho que passam do teto remuneratório, não recolhem Imposto de Renda, não entram nos limites da lei de responsabilidade fiscal.

Então, a gente tem aí o nosso campeão eh dessa vez sendo o juiz de Goiás, com uma remuneração média no ano de 2023 de R$ 90 mil por mês. Promotor em Rondônia e Pará está mais ou menos perto, R$ 85 mil. E isso é muito mais do que profissionais liberais de boas profissões em regiões produtivas do Brasil tão tirando. Médicos em Santa Catarina, nesse dado, ganham apenas metade do que ganham os procuradores, algo como R$ 42 mil por mês.

Engenheiro em São Paulo, uma média de R$ 30 mil por mês, uma ocupação super importante para o País, e que ganha um terço do que ganha um juiz em Goiás. Esses são os dados da Receita Federal para o ano de 2023. É claro que existe alguma flutuação aí. Frequentemente os tribunais pagam boladas de uma vez só, e um tribunal ou um Ministério Público vai copiando o outro e por simetria, por equivalência, decide pagar as mesmas coisas.

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Então, pode ser que nesse ano de 2023 o promotor no Pará, promotor em Rondônia, juiz em Goiás tenha se destacado mais, mas não necessariamente nos anos seguintes, porque outros Estados vão e copiam. Então, a gente ainda não tá dizendo aqui que necessariamente, consistentemente, o juiz de Goiás ou o promotor de Rondônia e do Pará ganha mais do que o de outros lugares.

Uma outra informação interessante desse nosso vídeo é a situação dos militares no exterior, que ganham algo como R$ 60 mil por mês. Nessas posições, a remuneração, o pagamento desses agentes públicos, está ligado ao câmbio. Como o câmbio se desvalorizou muito no Brasil nos últimos anos, isso dá esses valores bem altos.

No fim das contas, vai depender muito das despesas que esse militar tem, se ele levou família, qual o lugar do mundo que ele está, mas se ele conseguir poupar parte do que ele paga e voltar para o Brasil, ele vai ter uma poupança boa aí, porque de fato militar no exterior ganha muito mais do que militar ganha no Brasil, inclusive ganha mais do que o teto remuneratório.

Desde 2023, o Brasil já gastou dezenas de bilhões de reais no pagamento de indenizações acima do teto remuneratório, um tema que é do momento depois das decisões do ministro Flávio Dino e Gilmar Mendes suspendendo os pagamentos. Os sindicatos de juízes e procuradores têm vindo a Brasília tentando achar uma solução, mas o tema ainda está longe de terminar.

E aí? Você tinha noção de que juízes e promotores no Centro-Oeste e no Norte podem ganhar muito mais do que profissionais liberais no Sul e no Sudeste?

Fonte: Estadão | As Últimas Notícias do Brasil e do Mundo

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