O cenário de investimentos em ativos estressados, conhecidos como Special Situations, foi tema central de um debate promovido pela Associação Brasileira de Private Equity e Venture Capital em São Paulo.

Durante o evento, gestores de grandes casas discutiram a natureza dos precatórios no Brasil, refutando a ideia de que existe uma indústria focada apenas em lucrar com essas dívidas do governo.

A análise focou em como a conduta da União gera passivos bilionários e quais as estratégias para atuar com segurança em processos de recuperação judicial, conforme divulgado pelo Estadão.

A origem real dos precatórios no Brasil

Eduardo Nobre, sócio fundador da Lass Legal Capital, afirma que a União acumula centenas de bilhões em dívidas por infringir leis e criar tributos inconstitucionais para arrecadar valores no curto prazo.

Segundo o executivo, “A União vem, de forma recalcitrante, infringindo a lei, os direitos individuais, não pagando conta e criando tributo inconstitucional”, pontuou Nobre durante o painel especializado.

Apesar de pesquisas indicarem que 6 em cada 10 brasileiros não confiam no STF, Nobre acredita que o sistema judiciário funciona bem e que as discussões jurídicas costumam ser resolvidas de forma correta.

Recuperação judicial e barreira para concorrentes

Para Fábio Vassel, sócio da Starboard, processos de recuperação judicial funcionam como um repelente de concorrência, permitindo que gestores especializados acessem ativos com alto desconto no mercado.

Vassel argumenta que o mercado brasileiro se sofisticou, com bancos e credores mais proativos em buscar decisões que façam sentido para o grupo, em vez de exigir apenas saídas forçadas das empresas.

A estratégia da gestora envolve investir em ativos maduros com histórico de geração de caixa, como direitos musicais ou petróleo, que estejam descontados devido a litígios ou crises financeiras momentâneas.

O vácuo deixado pelos grandes bancos no crédito

Marcelo Mifano, da Vinci Compass, destacou que a gestora aproveita o espaço deixado pelos bancos tradicionais no fornecimento de crédito empresarial para companhias com históricos jurídicos complexos.

Ao comprar dívidas bancárias, a gestora define novos rumos para a reestruturação do negócio, focando em setores resilientes e ativos que possuem baixa correlação com as variações comuns da economia nacional.

Mesmo com a percepção de alto risco, Mifano ressalta que essas operações possuem garantias sólidas e planos estruturados, o que garante segurança para os investidores que buscam um retorno mais atrativo.

A fonte original é a Estadão e a matéria completa pode ser lida em: Estadão | As Últimas Notícias do Brasil e do Mundo

You May Also Like
Fundador do Nubank entra em lista da ‘Forbes’ ao lado de Buffett e Musk como ‘líder que muda o jogo’

David Vélez, fundador do Nubank, é destaque na lista Iconoclast 50 da Forbes como um dos líderes que estão mudando o jogo no setor financeiro global

O empresário, que transformou a realidade bancária na América Latina, agora coloca a fintech em rota de expansão nos Estados Unidos
Maior fundo soberano do mundo quer se desfazer de US$ 80 bilhões em títulos do Tesouro dos EUA

Maior fundo do mundo vai vender US$ 80 bi em títulos dos EUA: entenda o que muda no mercado agora

Estratégia do Norges Bank visa diversificar riscos e reduzir exposição à dívida pública americana em cenário de incertezas
Fechamento do Estreito de Ormuz pode desequilibrar mercado de petróleo e gás

Fechamento do Estreito de Ormuz pode desequilibrar mercado de petróleo e gás

O Estreito de Ormuz, crucial para o escoamento de petróleo, está no…
Bancos tentam barrar nos EUA plano da Ambipar que prioriza credor externo

Bancos brasileiros declaram guerra contra plano da Ambipar nos EUA; entenda o que está em jogo!

Bradesco, Banco do Brasil e Caixa acionam a justiça americana para barrar a entrega de subsidiárias e proteger bilhões em créditos.