A produtividade voltou ao topo das prioridades corporativas, mas carrega um desconforto crescente. Líderes e conselhos pressionam por resultados, confundindo muitas vezes o fazer mais com a simples intensidade de tarefas diárias.
Essa busca incessante por eficiência esbarra em uma métrica perigosa, a valorização da presença e da rapidez de resposta. Ser produtivo tornou-se um conceito menos consensual, gerando pressão em muitos gestores atuais.
O debate atual ignora que estar ocupado não garante a entrega de valor, transformando o expediente em uma maratona de visibilidade digital, conforme divulgado pelo Estadão.
A ilusão da atividade e o impacto na produtividade real
O cenário da eficiência no Brasil
No Brasil, os números mostram que o esforço não tem se traduzido em ganhos reais. Segundo o FGV IBRE, a produtividade por hora trabalhada cresceu apenas 0,3% no segundo trimestre de 2025, um dado muito preocupante.
A queda de 1,1% na Produtividade Total dos Fatores sugere que o problema vai além do empenho individual. Trata-se de uma falha na forma como organizamos o capital, o trabalho e as ferramentas digitais disponíveis hoje.
A armadilha da visibilidade digital
Muitos executivos ainda usam a visible activity, ou sinais de presença, para medir o desempenho. Cerca de 27% dos líderes focam em quem responde rápido ou circula em ferramentas digitais, ignorando metas concretas.
Essa distorção incentiva colaboradores a priorizar a aparência de trabalho em vez da geração de valor. O resultado é um ambiente onde a produtividade é sacrificada em nome de reuniões e e-mails constantes.
Fragmentação e o papel da tecnologia
O trabalho tornou-se mais fragmentado no modelo remoto. O número de reuniões subiu 12,9%, mas a duração média caiu 20,1%, criando um dia de trabalho mais interrompido e menos focado na execução de alta qualidade.
A inteligência artificial surge como promessa de eficiência, mas seu valor depende do redesenho do trabalho. Sem preparo e repertório, a tecnologia pode apenas automatizar a confusão e aumentar a sobrecarga cognitiva.
O custo bilionário do desengajamento
Empresas perdem fortunas com a má organização do trabalho. A McKinsey estima que o desengajamento pode custar entre US$ 228 milhões e US$ 355 milhões anuais para empresas de grande porte no mercado internacional.
Repensar a produtividade exige focar na qualidade da gestão e na redução de ruídos. Antes de cobrar mais entregas, as organizações precisam questionar se o modelo atual realmente permite que o valor aconteça.
O conteúdo original pode ser conferido integralmente no Estadão, acessível pelo link: Estadão | As Últimas Notícias do Brasil e do Mundo.







