A discussão sobre os rumos do desenvolvimento econômico brasileiro costuma ser ofuscada por polêmicas momentâneas, mas um debate essencial ganha força nos bastidores, a eficácia da nossa política industrial atual.

Enquanto o governo federal aposta em programas como o Nova Indústria Brasil e na reativação do BNDES, um dos economistas mais influentes do mundo, Dani Rodrik, traz um alerta, o modelo tradicional de fábricas pode não ser mais a solução.

A nova visão sugere que, para países em desenvolvimento, o caminho da prosperidade passa por um lugar diferente do que imaginávamos nas últimas décadas, conforme divulgado pelo Estadão.

O fim do sonho das fábricas e a nova política industrial

Historicamente, a industrialização era vista como a principal alavanca para tirar países da pobreza. No entanto, o economista Dani Rodrik, em artigo recente, declarou-se cético em relação à manufatura como motor de decolagem.

Rodrik foi, por muito tempo, uma voz importante ao defender que o Estado deveria intervir para estimular setores estratégicos. Agora, ele argumenta que a política industrial precisa mudar de foco para sobreviver ao novo cenário global.

O grande problema, segundo ele, é que a sofisticação da indústria moderna exige uma capacitação técnica que muitos países subdesenvolvidos, como o Brasil, ainda não conseguem oferecer para a maior parte de sua força de trabalho.

O desafio do emprego e a baixa qualificação

Atualmente, cerca de 1,5 bilhão de trabalhadores em países em desenvolvimento ocupam cargos que não exigem ensino superior e não competem no mercado internacional, como vendedores de rua e prestadores de serviços básicos.

No passado, as fábricas conseguiam absorver essas massas e aumentar rapidamente a produtividade nacional. Hoje, a indústria exige tanta tecnologia que se tornou incapaz de integrar esses bilhões de trabalhadores menos qualificados no processo.

Exemplos como Etiópia e México mostram que, embora tenham tido saltos na industrialização, esses países não conseguiram manter um crescimento sustentável acelerado, ao contrário do que ocorreu com os países do Leste Asiático décadas atrás.

A aposta no setor de serviços e na tecnologia

Para Rodrik, a nova política industrial deve focar no fortalecimento e na sofisticação do setor de serviços. A ideia é criar um ciclo onde o crescimento da classe média aumente a demanda por serviços de maior valor agregado.

O papel do Estado passaria a ser o de oferecer suporte técnico, como treinamentos, certificações e acesso a inteligência artificial para pequenos negócios. Isso elevaria a renda dos trabalhadores que hoje estão em ocupações informais ou precárias.

Esse tema é considerado extremamente relevante para os programas eleitorais no Brasil, já que o país ainda explora pouco o potencial dos serviços como motor central de sua economia e de sua inclusão social produtiva.

A fonte original deste artigo é o Estadão e você pode ler o conteúdo completo através deste link: Estadão | As Últimas Notícias do Brasil e do Mundo.

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