Andamos no robô-táxi da Amazon

Zoox testa serviço em Las Vegas, nos Estados Unidos; Jornal do Carro deu um passeio. Crédito: Estadão

AUSTIN (TEXAS, EUA) – Desde Os Jetsons, o convívio com robôs capazes de facilitar o cotidiano é um sonho. E talvez esta seja justamente a hora em que o desejo se tornará realidade. É o que diz Afshin Mehin, fundador da Card79, estúdio de design especializado em produtos que mesclam os mundos físico e digital. Segundo ele, chegou o momento de “os robôs saírem da jaula”.

O especialista fez a análise em apresentação no SXSW — South by Southwest, festival de inovação que Austin, nos Estados Unidos, recebe até 18 de março. Na visão dele, dois pontos-chave estimulam esse movimento. O primeiro é o avanço da inteligência artificial generativa, que tornou a linguagem das máquinas mais natural.

O segundo aspecto são as mudanças no design, com a preocupação de tornar a interação entre pessoas e máquinas mais semelhante à que acontece entre seres humanos. “O maior desafio da tecnologia não é fazer com que ela funcione, mas fazer com que as pessoas se apaixonem por ela”, disse.

Robôs amigáveis

Por isso, máquinas que imitam expressões e trejeitos humanos devem se tornar algo cada vez mais comum, avalia Mehin. “Os 12 princípios da animação criados pela Disney passaram a guiar também o desenho de máquinas”, conta. Isso prevê o uso de recursos para melhorar a comunicação, incluindo sons, o tempo de cada movimento e a linguagem corporal.

Em Austin, os exemplos são claros. Um robô de entrega do Uber Eats, por exemplo, é equipado com uma tela com dois olhos — detalhe que confere carisma à máquina que circula pelas ruas.

Outra demonstração são os robotáxis da Waymo. Embora o serviço use um carro que realmente existe, um Jaguar F-Pace repleto de sensores, as telas trazem boas-vindas e uma música sutil ecoa pela cabine ao fim da viagem para, gentilmente, avisar ao passageiro que é hora de desembarcar.

Robôs saem da jaula

Para Mehin, o momento é único porque, por anos, robôs e humanos eram separados por motivo de segurança. Ele lembra que, em 1979, ocorreu a primeira fatalidade causada por um robô: Robert Williams, operário da Ford, foi esmagado acidentalmente. “Desde então, prendemos robôs em jaulas. Em fábricas, eles trabalham isolados por grades. Agora, caminhamos para que isso mude”, conta.

Essa integração desbloqueia novas possibilidades. “Por muito tempo, entendíamos que máquinas faziam o trabalho pesado; e humanos, o criativo. Essa separação não existe mais”, apontou. Para o especialista, borrar esses limites trará resultados novos e, certamente, mais seguros do que no passado.

Fonte: Estadão | As Últimas Notícias do Brasil e do Mundo

You May Also Like
Governo abre caminho para contratar energia de baterias após críticas a megaleilão de térmicas

Governo Federal abre caminho para leilão de baterias de energia após polêmica sobre megaleilão de termelétricas e impacto na conta de luz

Nova estratégia busca integrar energia solar e eólica ao sistema elétrico nacional através de armazenamento, enquanto especialistas debatem os custos aos consumidores
Brasil tem tempo para evitar veto da UE e precisa de ação do governo com indústria, diz CEO da JBS

Brasil ainda tem tempo para evitar veto da União Europeia em exportações, afirma CEO da JBS sobre novas exigências de mercado e sustentabilidade

Gilberto Tomazoni destaca a importância de uma parceria sólida entre o governo e a indústria privada para garantir as certificações oficiais exigidas pela Europa
Caso Ypê cria risco reputacional, mas resposta clara e rápida pode aliviar danos, dizem analistas

Suspensão da venda de produtos Ypê pela Anvisa gera alerta sobre danos à reputação e exige medidas urgentes de transparência para manter a confiança

Especialistas apontam riscos significativos para a marca após interdição de lotes por falhas sanitárias e destacam a importância de uma gestão de crise impecável
Brasil Adiante: Gestão de pessoas deve ser prioridade na reforma administrativa, diz especialista

Reforma administrativa deve focar em gestão de pessoas e combate a supersalários para melhorar serviços públicos no Brasil, defende especialista

Diretora executiva do Movimento Pessoas à Frente destaca que a valorização de lideranças e o fim de privilégios são essenciais para a eficiência estatal