O impacto da Selic no financiamento do agronegócio

O cenário do crédito rural tem apresentado mudanças importantes nos últimos meses. Dados recentes mostram uma redução de 9% nos desembolsos do Plano Safra 2025/26 até o mês de março, quando comparado ao ciclo anterior.

A situação, contudo, não representa uma paralisia no setor. Segundo o vice-presidente de Agronegócios do Banco do Brasil, Gilson Bittencourt, o movimento é reflexo de uma reorganização financeira dos produtores rurais.

A análise foi compartilhada durante a 31ª Agrishow 2026, conforme divulgado pelo Estadão. O executivo explicou que o custo do crédito, impactado pela taxa Selic em 14,75% ao ano, altera as decisões de investimento no campo.

Mudanças no perfil do crédito rural

Embora os números oficiais do Plano Safra indiquem uma queda, o volume total de recursos destinados à agricultura empresarial ganha fôlego quando somadas as Cédulas de Produto Rural (CPRs) financiadas pelos bancos privados e públicos.

Ao considerar as CPRs, o volume liberado chega a R$ 403,981 bilhões, registrando uma alta de 10% ante o ciclo passado. Bittencourt reforçou que o dinheiro continua fluindo, mas o destino dos investimentos está sendo repensado.

Prioridade na reestruturação do fluxo de caixa

O recuo na busca por financiamentos foca principalmente nas linhas de investimento de médio e longo prazo. Muitos produtores optaram por adiar projetos para equilibrar o fluxo de caixa, diante das incertezas econômicas.

Os bancos também adotaram posturas mais cautelosas. Atualmente, a concessão de crédito exige garantias mais robustas e uma análise rigorosa sobre a real capacidade de pagamento de cada cliente, visando segurança na operação.

Renegociação de dívidas como ferramenta de suporte

As medidas de renegociação têm sido fundamentais para manter a saúde do setor. O Banco do Brasil já renegociou R$ 36,5 bilhões em dívidas rurais, amparado por iniciativas como a Medida Provisória 1.314, que auxilia produtores afetados por eventos climáticos.

Segundo o executivo, o processo de postergação de débitos por até nove anos contribui para que o produtor mantenha sua regularidade. Isso evita a inadimplência e preserva a capacidade de acesso a novos financiamentos no futuro próximo.

Expectativas para a Agrishow e próximos passos

Apesar da cautela, o otimismo persiste para a feira deste ano. O Banco do Brasil projeta até R$ 3 bilhões em propostas de negócios, focando em produtores que possuem fluxo de caixa equilibrado e disposição para novas tecnologias.

A maior parte dos agricultores segue adimplente, garantindo a solidez do agronegócio nacional. A fonte original desta matéria é o Estadão, que você pode conferir na íntegra em Estadão | As Últimas Notícias do Brasil e do Mundo.

You May Also Like
Light anuncia encerramento da recuperação judicial

Light encerra recuperação judicial: saiba o que muda para a gigante de energia agora!

Justiça do Rio de Janeiro autoriza fim do processo após cumprimento de metas e pagamentos a milhares de credores.
Mobilidade: ‘O custo social da ineficiência atual é insustentável’, diz Quintella, da FGV Transporte

Carros elétricos resolvem o trânsito? Veja por que a tecnologia sozinha não salva a mobilidade!

Especialistas alertam que a eletrificação de carros elétricos é apenas uma parte da solução para a mobilidade urbana.
FMI aprova novo empréstimo no valor de US$ 690 milhões para a Ucrânia

Fundo Monetário Internacional envia US$ 690 milhões para a Ucrânia; veja o impacto e entenda

Entenda como o novo aporte do **Fundo Monetário Internacional** ajuda a manter a economia da **Ucrânia** estável em meio ao conflito.
El Niño ameaça piorar pressão no crédito rural e atrasar recuperação do BB

Super El Niño ameaça o crédito rural: veja como o fenômeno pode afetar o Banco do Brasil e sua renda

O avanço de um El Niño severo coloca em risco a safra 2026/2027 e eleva o alerta para a inadimplência no agronegócio brasileiro.