O Amapá se prepara para uma possível revolução econômica com a exploração de petróleo na Margem Equatorial, mas a esperança vem acompanhada de um receio histórico que ainda assombra a região local.
Especialistas alertam que a descoberta de recursos naturais não garante, por si só, o desenvolvimento social, citando exemplos de outros estados brasileiros que viram o óleo jorrar sem transformar a realidade.
A análise aponta que o modelo de distribuição de receitas e a falta de investimentos estruturais podem frustrar o potencial transformador dessa nova fronteira energética, conforme divulgado pelo Estadão.
A Maldição do Petróleo e a Realidade Brasileira
O paradoxo conhecido como maldição do petróleo sugere que o aumento nas receitas nem sempre resulta em avanços sociais. Cidades no Rio de Janeiro e Espírito Santo são exemplos que não se tornaram modelos de progresso.
Segundo o professor Ildo Luís Sauer, da USP, o pré-sal foi anunciado em 2006 como um passaporte para o futuro, mas a riqueza acabou sendo pulverizada e capturada financeiramente sem as mudanças estruturais prometidas.
Sauer afirma que, “Duas décadas após as primeiras descobertas, a análise crítica e objetiva dos dados demonstra que o modelo de exploração do pré-sal resultou na queima e na captura financeira dessa riqueza”.
Dados de pesquisas indicam que seis estados concentram 98% dos royalties no Brasil. O Rio de Janeiro, líder absoluto em arrecadação com R$ 350 bilhões, apresentou a pior evolução no Índice de Desenvolvimento Humano.
O Legado Amargo do Ciclo do Manganês
A memória do Amapá é marcada pelo fim do ciclo do manganês em 1997. A mineradora Icomi explorou a região por décadas, deixando para trás passivos ambientais graves e solos contaminados por arsênio na região.
Embora a mineração tenha trazido infraestrutura básica, como estradas de ferro e o Porto de Santana, o encerramento das atividades mostrou que o progresso era superficial, sem uma base industrial sólida no estado.
Desafios para a Industrialização e Capacitação
O professor Marcelo José de Oliveira, da Unifap, destaca que o futuro depende da aplicação correta dos recursos. Ele acredita que o setor de óleo e gás atrairá atividades, mas não garante uma cadeia de industrialização.
Para o especialista, o dilema atual com o petróleo é parecido ao vivido com o manganês. A riqueza só trará desenvolvimento real se houver capacidade técnica e investimentos voltados para a base produtiva regional.
Novas Perspectivas e o Fundo Soberano
O atual governo amapaense busca evitar erros antigos e foca na criação de um fundo soberano para gerir as receitas. A intenção é transformar a exploração em benefícios duradouros para toda a população local.
O governador Clécio Luis afirma que o estado construiu uma massa crítica para lidar com a situação. “Não precisamos cometer os mesmos erros. Não vamos permitir que essa oportunidade se transforme numa maldição”.
A fonte original é a Estadão e você pode conferir o conteúdo completo no link para a matéria original.







