O mercado financeiro aguarda com ansiedade o desfecho de um dos casos mais complexos do ano na CVM. A decisão envolve o futuro da Oncoclínicas, uma das maiores redes de tratamento de câncer do país.
O foco central é a necessidade de uma Oferta Pública de Aquisição de Ações, a chamada OPA, que pode movimentar cifras bilionárias. A disputa coloca frente a frente as gestoras Latache e Centaurus.
A decisão do colegiado da autarquia terá impactos diretos na governança e na liquidez das ações da empresa no curto prazo, conforme divulgado pelo Estadão.
A polêmica da OPA e o valor de R$ 6 bilhões na Oncoclínicas
A discussão começou quando a Latache, maior acionista individual com 14,6%, passou a exigir que a Centaurus realizasse uma oferta para comprar as ações dos demais investidores da companhia.
Segundo o estatuto social da empresa, qualquer acionista que atinja ou supere 15% do capital deve lançar essa oferta. Estimativas indicam que o custo dessa operação pode chegar a R$ 6 bilhões para a gestora.
A Centaurus, no entanto, argumenta que já era uma acionista relevante antes mesmo da abertura de capital em 2021. Por esse motivo, ela estaria isenta da obrigação de realizar a aquisição bilionária.
A origem do conflito e o papel do Goldman Sachs
O imbróglio jurídico teve início após uma reestruturação de fundos do banco Goldman Sachs. A Centaurus passou a deter 16,05% das ações por meio de um novo fundo de investimento, chamado Josephina III.
A área técnica da CVM já emitiu um parecer favorável à Centaurus, apontando que a gestora indicava diretores desde 2019. Isso reforça a tese de que ela não é uma nova investidora na rede de saúde.
A Latache contestou essa visão e recorreu ao colegiado. Para a gestora, a figura da Centaurus como acionista direta só emergiu em 2024, o que deveria acionar a cláusula de proteção, a poison pill.
Impacto no mercado e a recuperação extrajudicial
A volatilidade das ações da Oncoclínicas reflete a tensão do caso. Entre janeiro e julho, os papéis caíram 70%, mas saltaram 176% em agosto devido aos rumores de uma decisão favorável à realização da OPA.
Enquanto briga na CVM, a companhia enfrenta uma recuperação extrajudicial para renegociar dívidas de R$ 5,1 bilhões. O pedido foi aceito pela Justiça no início de agosto para organizar o fluxo de caixa.
Dentro desse montante, existem R$ 1,6 bilhão em Certificados de Recebíveis Imobiliários. Para os detentores desses títulos, a disputa pela oferta de ações não altera o risco de inadimplência da empresa.
O que acontece após a decisão da CVM?
Mesmo com o veredito da autarquia, o caso não deve terminar agora. O fundo Josephina III já iniciou um processo de arbitragem privada para contestar a necessidade de comprar as ações dos minoritários.
A decisão do colegiado da CVM, liderado por Otto Lobo, é vista como um marco regulatório. Ela servirá de base para como o mercado interpreta as regras de proteção aos investidores em grandes empresas.
A fonte original desta notícia é o Estadão, e você pode ler a matéria completa no link: Estadão | As Últimas Notícias do Brasil e do Mundo.





