O mercado imobiliário brasileiro está em sinal de alerta máximo devido ao crescimento explosivo de uma modalidade de empréstimo específica. O avanço acelerado na concessão de crédito consignado tem preocupado grandes construtoras e especialistas do setor financeiro.
A grande questão é que o endividamento das famílias já atingiu níveis elevados, comprometendo a renda mensal de quem planeja adquirir a casa própria. Esse cenário coloca em risco não apenas os novos contratos, mas também os pagamentos de imóveis já adquiridos.
Essa dinâmica cria um efeito dominó que atinge desde o consumo básico até as grandes parcelas da habitação popular, dificultando o planejamento financeiro, conforme divulgado pelo Estadão.
O impacto do crédito consignado nas vendas de imóveis
O aumento na oferta dessa linha de crédito, especialmente com o uso do FGTS como garantia, reduziu o valor líquido do salário que chega ao trabalhador. Com menos dinheiro livre no contracheque, pagar as parcelas da construtora se torna um desafio diário.
Para o consultor José Urbano Duarte, ex-diretor da Caixa Econômica Federal, “o risco da carteira de pro soluto está se ampliando” devido à captura crescente da renda da população por parte dos grandes bancos que oferecem o consignado privado.
O risco do financiamento pro soluto
Muitas famílias que compram pelo programa Minha Casa Minha Vida não possuem a entrada completa e parcelam esse valor diretamente com a construtora. Essa dívida, chamada de pro soluto, não possui garantias reais como o imóvel em si.
Se o comprador priorizar o pagamento do banco, a construtora fica sem receber sua parte da entrada. O diretor financeiro da MRV, Ricardo Paixão, destaca que esse cenário atrapalha tudo, desde o pagamento do aluguel até os gastos rotineiros em supermercados.
Inadimplência e negativação de crédito
Além da dificuldade de pagar o que já foi comprado, o endividamento impede novas vendas de imóveis. Muitas propostas são negadas nos estandes de venda porque os potenciais clientes já estão com o nome negativado ou sem margem financeira disponível.
“Nos estandes, dizemos muito mais não do que sim. O endividamento nos atrapalha”, revelou Leonardo Mesquita, copresidente da Cury. A empresa afirma que, embora a inadimplência atual esteja controlada, o monitoramento rigoroso precisa ser feito de perto.
O salto bilionário nos empréstimos
Os dados mostram que a média de concessão de crédito saltou de R$ 1,6 bilhão para picos de R$ 10,9 bilhões em apenas um ano. Esse crescimento foi impulsionado pelo lançamento de modalidades que utilizam o FGTS para reduzir as taxas de juros.
O resultado prático é que o banco se torna um credor sênior, recebendo o pagamento antes de qualquer outra despesa do cidadão. Isso deixa as construtoras em uma posição vulnerável, aguardando o que sobra do orçamento familiar mensal de cada trabalhador.
A fonte original desta notícia é o Estadão e você pode conferir a matéria completa através do link: https://www.estadao.com.br/economia/perda-de-renda-consignado-sinal-amarelo-construtoras/







