O economista Nouriel Roubini, conhecido como “doutor apocalipse”, trouxe novas avaliações sobre a economia brasileira em meio a um clima de tensão internacional. Em palestra no Bradesco BBI, ele destacou que os próximos passos nas urnas terão mais peso que os conflitos envolvendo Irã, Estados Unidos, Arábia Saudita e Kuwait.

Roubini apontou que, embora a alta dos preços do petróleo beneficie exportadores como o Brasil, o efeito inflacionário pode ser mais intenso, sobretudo se a guerra se arrastar. Ele ainda estimou uma probabilidade de 75% de escalada do confronto entre EUA e Irã, o que traz “hiper‑incerteza” aos mercados.

As declarações do professor da NYU Stern foram divulgadas pelo Estadão, trazendo um panorama de risco que mistura política doméstica e geopolítica global.

Eleição no Brasil será decisiva para o futuro fiscal

Roubini afirmou que o resultado das urnas definirá a trajetória do endividamento público brasileiro. “Pode haver uma situação em que, no futuro, haja uma dominância fiscal, em que o déficit fica tão alto que a tentação para monetizá‑lo cresce”, alertou.

Impactos da alta do petróleo

Segundo o economista, o aumento do preço do barril favorece as exportações brasileiras, mas também eleva a pressão inflacionária. “Há um crescimento menor e uma inflação um pouco mais alta, embora o impacto econômico seja menor que na Europa e na Ásia”, explicou.

Probabilidades de escalada no Oriente Médio

Roubini calcula 75% de chance de os EUA intensificarem a ação militar contra o Irã, contra 25% de um arrefecimento do conflito. Ele vê 55% de probabilidade de vitória americana e 20% de piora sem triunfo dos EUA.

Hipóteses de cessar‑fogo e consequências políticas

Se o presidente dos EUA, Donald Trump, aceitar um cessar‑fogo nas condições atuais, o Irã manterá o controle do Estreito de Ormuz, garantindo preços elevados do petróleo. Nesse cenário, o Irã se rearma e Trump poderia enfrentar derrota nas eleições de meio de mandato, segundo Roubini.

‘Hiper‑incerteza’ na economia mundial

O professor descreveu o momento como um período de incertezas sem precedentes, citando a guerra na Ucrânia, o conflito Israel‑Hamas e agora a tensão Irã‑EUA. Ele também mencionou a retórica agressiva de Trump em relação à Venezuela, Canadá e Groenlândia.

Roubini concluiu que, embora o conflito no Irã possa elevar os preços do petróleo e a inflação, o efeito será menor que os choques dos anos 70, graças à maior diversificação de produtores e fontes de energia.

Fonte original: Estadão | As Últimas Notícias do Brasil e do Mundo

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