A Netflix enfrentou um baque financeiro inesperado devido a uma disputa tributária exclusiva do Brasil. O caso veio à tona no programa ‘Não vou passar raiva sozinha’, com a Duquesa de Tax destacando os custos de operar no país.

No terceiro trimestre de 2025, a gigante do streaming registrou receita de US$ 11,5 bilhões, alta de 17%, mas sua margem operacional caiu para 28,2%, abaixo da meta de 31,5%. Tudo por causa de uma despesa de US$ 619 milhões em tributos não ligados ao imposto de renda, referentes a 2022-2025.

Esse valor, equivalente a cerca de R$ 3,3 bilhões, foi lançado como custo de receita e reduziu o lucro em mais de cinco pontos percentuais. Sem ele, a Netflix teria superado suas próprias projeções, conforme divulgado pelo Estadão.

Disputa com Cide: Tributo que Só o Brasil Cobra das Remessas

A briga envolve a Cide sobre remessas ao exterior, um imposto de 10% aplicado a transferências para a sede nos EUA. Especialistas estimam que a Netflix enviou US$ 6,19 bilhões em três anos, gerando essa cobrança bilionária.

O vice-presidente financeiro, Spencer Neumann, chamou isso de “custo de fazer negócios no Brasil”. Ele enfatizou que é algo “único no mundo”, não específico de streaming, mas que afeta empresas de tecnologia e serviços.

A Duquesa de Tax, no programa da Netflix, escancarou como essa tributação complica a vida de gigantes internacionais, forçando provisões que impactam diretamente os balanços.

Impacto nos Resultados: Lucro Abaixo do Esperado e Ações em Queda

O lucro líquido do trimestre foi de US$ 2,5 bilhões, abaixo dos US$ 3 bilhões esperados por analistas. As ações da Netflix despencaram até 10% em Nova York após o anúncio.

A empresa ajustou a meta anual de margem EBIT de 30% para 29%, citando o Brasil como vilão principal. Para o quarto trimestre, projeta receita de US$ 12 bilhões e margem de 23,9%.

Advogados tributaristas alertam que decisões do STF sobre a Cide podem elevar preços de assinaturas no Brasil para compensar os custos extras.

Complexidade Tributária Brasileira Afeta Streaming e Além

Luísa Macário, sócia do Macário Menezes Advogados, explica que litígios fiscais exigem provisões, mesmo sem pagamento imediato, afetando o lucro reportado aos acionistas.

A carga tributária no setor de streaming, hoje em torno de 14%, pode subir para 25% com a Reforma Tributária. Isso reforça o alerta de Neumann sobre os desafios únicos do Brasil.

A Netflix mantém programação forte, com sucessos como a final de Stranger Things e produções de diretores renomados, mas o episódio fiscal destaca riscos locais.

Fonte original: Estadão e matérias relacionadas do G1, InfoMoney e CNN Brasil.

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