O ministro da Previdência Social, Wolney Queiroz, trouxe à tona detalhes sobre o cenário enfrentado pelo INSS entre os anos de 2019 e 2022. Segundo o gestor, o órgão sofreu com vulnerabilidades graves que permitiram a entrada de fraudadores, resultando em desvios e descontos indevidos nos benefícios dos aposentados brasileiros.

Em entrevista recente, Queiroz destacou que o sistema de descontos associativos, que deveria ser fiscalizado com rigor, foi alvo de uma estrutura criminosa que se aproveitou da falta de confirmação interna. A situação só começou a ser revertida após ações coordenadas com órgãos de controle, conforme divulgado pelo Estadão.

O titular da pasta reforçou que, embora a crise tenha sido intensa, a atual gestão tem focado no ressarcimento dos valores subtraídos e na reestruturação dos processos internos. O objetivo agora é restaurar a confiança do cidadão na instituição centenária, blindando o INSS contra novos ataques externos.

Combate a fraudes e foco na eficiência do INSS

Wolney Queiroz explicou que, ao assumir o ministério, encontrou um cenário de crise profunda, com cerca de 9 milhões de aposentados afetados por descontos. Até o momento, 4,5 milhões de segurados já foram ressarcidos, totalizando uma devolução superior a R$ 3 bilhões aos cofres e bolsos dos beneficiários.

O ministro ressaltou a importância da atuação conjunta com a Polícia Federal e a Controladoria-Geral da União (CGU) para desmantelar as fraudes. Para ele, o desafio constante é evitar que termos pejorativos desgastem a imagem do instituto, focando em uma gestão moderna e mais atrativa para o segurado.

Negociação para reduzir juros do consignado

Uma das principais bandeiras da pasta é a criação de um gatilho automático para o crédito consignado. O ministro negocia com a Federação Brasileira de Bancos (Febraban) para que as taxas acompanhem as oscilações da Selic. A ideia é garantir previsibilidade, fazendo com que os juros subam ou caiam automaticamente.

Queiroz destacou que, em sua gestão, não houve aumento da taxa mesmo com pressões do setor bancário. O plano é consolidar uma autorregulação pactuada, evitando que a decisão dependa exclusivamente de instâncias que não possuem o olhar plural do Conselho Nacional de Previdência Social (CNPS).

Meta de zerar a fila de espera do INSS

O compromisso de zerar a fila do INSS até o fim do ano permanece como prioridade. O ministro esclarece que o termo “fila” precisa ser entendido como o fluxo de solicitações. Atualmente, o órgão foca em manter o tempo médio de análise dentro do prazo legal de 45 dias para todos os segurados.

O uso de tecnologias, como o Atestmed, tem sido fundamental para esse avanço. Segundo Queiroz, a perícia documental reduziu a burocracia e economizou recursos. Além disso, o fortalecimento dos quadros com novos peritos médicos federais e planos de bônus por produtividade têm acelerado as respostas aos cidadãos.

Proteção social e o futuro da Previdência

O ministro enfatizou que o termo “Previdência Social” carrega um compromisso com o cidadão que vai além dos números. Para ele, a conta deve ser equilibrada com responsabilidade, evitando reformas que prejudiquem apenas o trabalhador com aumento de alíquotas ou idades mínimas elevadas.

Sobre o futuro, Queiroz defende a inclusão de trabalhadores de aplicativos no sistema. O foco é garantir que essa parcela da população tenha proteção para o momento da aposentadoria, evitando que a sobrecarga recaia inteiramente sobre a assistência social no futuro, o que seria ainda mais oneroso para o país.

A fonte original é o [Estadão](https://www.estadao.com.br/economia/ministro-da-previdencia-quer-baixar-juros-do-consignado-do-inss-e-negocia-gatilho-para-corrigir-taxa/)

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