Explosão é registrada perto do Burj Khalifa, maior prédio do mundo, em Dubai

Durante a retaliação do Irã aos ataques feitos por EUA e Israel neste sábado, 28, uma explosão atingiu a luxuosa ilha artificial de Palm Jumeirah, em Dubai. Crédito: Reprodução/Redes Sociais

O dia que começou com planos de lazer para um brasileiro que mora em Dubai terminou em confinamento e apreensão. Gustavo Muñoz, 28 anos, planejava aproveitar o dia em Abu Dhabi em uma sessão de wake surf com amigos. No entanto, o trajeto de uma hora e meia de carro entre as duas principais cidades dos Emirados Árabes Unidos foi interrompido por um alerta estridente vindo do celular.

Clima de guerra e indiferença

A percepção de que algo grave estava acontecendo veio em etapas. Primeiro, mensagens de amigos; depois, a confirmação em portais internacionais. “A primeira fonte foi um conhecido e ficamos nos perguntando se era verdade. Abrimos a CNN e vimos o que estava acontecendo”, relata.

A notificação do governo veio na sequência e o grupo, prudente, decidiu retornar para Dubai. No caminho, pararam para abastecer o carro e enfrentaram fila nada comum no posto de combustível. Gustavo ressalta ainda que viu grande movimentação de pessoas em supermercados.

O gerente comercial, contudo, aponta para outras cenas surreais dado o atual contexto. “Impressiona é que, ao mesmo tempo que temos filas em postos e supermercados, com gente querendo fazer estoque, há pessoas com crianças pequenas, em beach clubs, agindo como se nada estivesse ocorrendo”, conta.

“Metade das pessoas acha que o mundo está acabando, metade está na piscina”, arremata o brasileiro.

Explosões de hora em hora e impacto dentro de casa

Morador da Dubai Marina, uma região turística e residencial, Gustavo relata que o impacto das interceptações pôde ser sentido dentro de casa. “A cada hora se ouvia três ou quatro explosões. No final da tarde, uma delas foi bem perto e chegou a chacoalhar a estrutura do meu prédio”, diz.

Explosões atingem Dubai, nos Emirados Árabes Unidos

A retaliação do Irã aos ataques feitos por EUA e Israel neste sábado, 28, atingiu o coração financeiro e turístico do país. Crédito: Associated Press

Os estrondos foram registrados até por volta das 22h, locais. No entanto, o brasileiro informou ao Estadão que as explosões voltaram a ser ouvidas no início da madrugada de domingo. Além disso, Gustavo disse ter escutado barulhos que acredita serem de aeronaves cruzando a região.

O choque entre os residentes é grande, especialmente pelo simbolismo de locais icônicos terem sido atingidos. “Ninguém imaginou que os Emirados seriam atacados. O fato de acontecer algo na Palmeira (a ilha artificial Palm Jumeirah) é muito simbólico”, afirma.

Gustavo ressaltou ainda que o governo local pediu para que a população não compartilhasse fotos ou vídeos antes de comunicados oficiais. “Notei que influenciadores que não são emiradenses apagaram posts referentes ao ataque.”

O gerente comercial vive fora do Brasil há dez anos e mudou-se para os Emirados há um. Ele afirmou manter contato constante com a namorada e os pais no Brasil a fim de tranquilizá-los.

“Liguei para eles para avisar que estava tudo bem. Estamos nos falando por mensagem o tempo todo”, diz. Sem previsão de quando o espaço aéreo será reaberto ou quando a rotina voltará ao normal, ele segue a última recomendação das autoridades: “Não tem como sair agora. A orientação é se abrigar”.

O que aconteceu

Os Estados Unidos e Israel lançaram um grande ataque ao Irã neste sábado, o que o presidente americano Donald Trump descreveu como uma oportunidade para uma mudança de regime em Teerã. Antes do ataque aos Emirados Árabes, o Irã já havia reagido disparando uma série de mísseis e drones contra Israel, informou a Guarda Revolucionária em comunicado no Telegram.

Também lançou ataques com mísseis contra bases militares americanas na região, incluindo a Base Aérea de Al Udeid, no Catar, a Base Aérea de Ali Al Salem, no Kuwait, a Base Aérea de Al Dhafra, nos Emirados Árabes Unidos, e o quartel-general da Quinta Frota dos EUA, no Bahrein, informou a Fars.

O ataque ocorreu após semanas de repetidas ameaças de Trump de que os Estados Unidos atacariam o Irã, a menos que a liderança do país concordasse com as exigências dos EUA, especialmente em relação ao programa nuclear de Teerã.

Na quinta-feira, autoridades americanas e iranianas realizaram uma última rodada de negociações mediadas, que terminou sem um avanço significativo.

Neste sábado, Trump anunciou que “grandes operações de combate” estavam em andamento no Irã. O Departamento de Defesa chamou os ataques de “Operação Fúria Épica”.

Fonte: Estadão | As Últimas Notícias do Brasil e do Mundo

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