O Norges Bank Investment Management, responsável pela gestão do maior fundo soberano do mundo, propôs uma mudança drástica em sua estratégia de investimentos. A instituição planeja reduzir sua posição em títulos do Tesouro americano em US$ 80 bilhões.

Essa movimentação ocorre em um momento de transição econômica global e busca reequilibrar a carteira de ativos do fundo norueguês, que atualmente administra cerca de US$ 2,3 trilhões. A decisão reflete uma busca por maior diversificação de riscos.

A reestruturação proposta visa afastar o fundo da dependência direta da dívida pública dos Estados Unidos, conforme divulgado pelo Estadão. A medida acendeu um alerta no mercado financeiro sobre a confiança nos ativos americanos.

A nova estratégia do Norges Bank para a dívida dos EUA

Embora a proposta sugira a venda de uma fatia generosa de títulos do Tesouro, o fundo não pretende abandonar o dólar. A ideia é migrar parte desses recursos para ativos considerados mais rentáveis, como os títulos lastreados em hipotecas (MBS).

A gestão do fundo argumenta que esses títulos, garantidos por agências como Fannie Mae e Freddie Mac, oferecem uma qualidade de crédito similar à do governo. No entanto, eles entregam prêmios de risco que podem beneficiar a rentabilidade a longo prazo.

Segundo a carta enviada ao Ministério das Finanças da Noruega, “um índice de mercado amplo proporciona exposição a mais prêmios de risco e oferece um índice de referência mais diversificado do que o atual”, justificando a troca dos ativos tradicionais.

Cenário político e dívida pública trilionária

A decisão do fundo soberano não pode ser dissociada do contexto político atual. A dívida pública dos Estados Unidos já ultrapassou a marca histórica de US$ 40 trilhões, acompanhada por um déficit federal que não para de crescer sob novas gestões.

Além disso, o governo de Donald Trump tem adotado posturas mais agressivas em termos comerciais e diplomáticos. Esse comportamento, somado a possíveis sanções e guerras tarifárias, torna a manutenção de grandes volumes de dólares um movimento visto como mais arriscado.

Especialistas apontam que a tendência de reduzir a exposição ao dólar já é visível em diversos bancos centrais. Muitos países estão optando por aumentar suas reservas em ouro, buscando proteção contra instabilidades políticas em Washington.

Impacto no índice de referência do fundo

Com o reequilíbrio, a participação de títulos públicos no índice de referência do Norges Bank deve cair de 70% para 50%. Essa é uma mudança significativa que mostra que o fundo está priorizando a liquidez em ativos diversificados em vez de concentrados.

A presidente do Norges Bank, Ida Wolden Bache, e o CEO Nicolai Tangen afirmaram que essa nova fatia de 50% será suficiente para cobrir as necessidades de liquidez, inclusive em períodos de turbulência nos mercados financeiros mundiais.

A redução será sentida principalmente nos papéis americanos. Enquanto os títulos do governo dos EUA cairão de 34,1% para 21,9%, outros mercados, como o japonês, devem ganhar mais espaço na carteira do maior investidor institucional do planeta.

A fonte original é o Estadão | As Últimas Notícias do Brasil e do Mundo e você pode conferir a matéria completa em: https://www.estadao.com.br/economia/maior-fundo-soberano-do-mundo-quer-se-desfazer-de-us-80-bilhoes-em-titulos-do-tesouro-dos-eua/

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