O ministro Fernando Haddad precisará se reinventar para ter chances de vitória nas eleições para o governo de São Paulo, em outubro. Primeiro, porque ele não queria concorrer ao cargo, e não se conhece na história algum político que tenha sido eleito levando ao palanque contrariedade. Segundo, porque sua agenda de aumento de arrecadação na Fazenda será agora usada contra ele. E, terceiro, porque ele já perdeu as últimas disputas, o que é um forte indicativo de que não tem sido bom de voto.

O ministro, porém, poderá se apegar a bons indicadores da economia. A inflação foi controlada, o desemprego está na mínima histórica, e os índices de pobreza caíram aos menores níveis da série.

O crescimento do PIB superou as projeções do mercado financeiro nos últimos três anos, a Selic está em queda, e o dólar, ainda que por influência externa, está se desvalorizando sobre o real este ano. Mal ou bem, a cotação da moeda americana acaba sendo um termômetro sobre como anda a economia, principalmente para os eleitores de centro, mais bem informados, e que podem decidir a eleição.

O ministro também poderá colher os dividendos eleitorais do aumento da isenção do Imposto de Renda para até R$ 5 mil, embora esse efeito ainda não apareça nas pesquisas de opinião. Como o benefício teve início em janeiro, ainda há tempo de o trabalhador perceber esse alívio no contracheque e associá-lo a Haddad.

Por outro lado, Haddad direta ou indiretamente foi protagonista de algumas das maiores polêmicas deste governo nas redes sociais. A insistência de fazer o ajuste fiscal pela arrecadação o fez ganhar o apelido de “Taxad”, a “taxa das blusinhas” levou a uma onda de menções negativas para o governo, e houve os episódios de aumento de IOF que desgastou a relação com o mercado financeiro.

Agora, há o aumento das tarifas de importação de mais de mil produtos que irão, sim, dificultar a queda da inflação. Tudo isso será explorado pelo governador Tarcísio de Freitas, que concorre à reeleição em São Paulo.

Em entrevista ao Estadão em meados de novembro, Haddad confessou que não tinha interesse em concorrer, e que havia dito isso a Lula. Ao que parece, foi convencido a mudar de ideia, em prol de reforçar o palanque do presidente no maior colégio eleitoral do País. Essa estratégia pode ser complementada com as ministras Simone Tebet e Marina Silva concorrendo a vagas ao Senado pelo Estado.

Para ajudar Lula, Haddad precisará demonstrar vontade e carisma para ter chance de vencer. Se fizer mais do mesmo, amargará outra derrota.

Fonte: Estadão | As Últimas Notícias do Brasil e do Mundo

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