A gigante petroquímica Braskem vive dias de extrema tensão nos bastidores financeiros. O embate entre a empresa e seus credores atingiu um ponto crítico, elevando os riscos de uma crise institucional sem precedentes.

Com o prazo de proteção judicial prestes a vencer, o mercado acompanha de perto cada movimento dos envolvidos. A possibilidade de uma recuperação judicial deixou de ser um rumor distante para se tornar uma ameaça real.

As negociações seguem travadas entre o bloco controlador e os grandes investidores internacionais. O cenário é de incerteza total para o futuro da companhia, conforme divulgado pelo Estadão.

O impasse da dívida e a ameaça de recuperação judicial na Braskem

A disputa em torno do alto endividamento da Braskem levou ambos os lados a assumirem um discurso mais agressivo. Tanto a empresa quanto os detentores de títulos admitem que a recuperação judicial é uma saída possível.

A tensão cresceu após os investidores externos, que possuem títulos de dívida em dólar, os chamados bonds, insistirem na necessidade de desalavancagem imediata. Eles propuseram injetar recursos na empresa agora.

Conflito entre bondholders e acionistas

Os atuais acionistas, IG4 Capital e Petrobras, sinalizaram que não pretendem colocar dinheiro novo no negócio. Em contrapartida, os credores exigem que todos os ativos da companhia sejam entregues como garantia.

A gestora Elliott lidera o grupo de bondholders, que possui vantagem nas negociações por ser o maior grupo de credores. Interlocutores da empresa resistem e afirmam que estão prontos para o pior cenário jurídico.

Um interlocutor próximo à petroquímica disparou: “Estamos prontos para ir para uma recuperação judicial e derreter o valor dos bonds”. A frase resume bem o clima hostil que tomou conta das reuniões recentes.

O papel da Petrobras e da IG4 Capital

Os detentores de títulos tentam negociar diretamente com a Petrobras, buscando contornar a resistência da IG4. No entanto, fontes indicam que a estatal e a gestora estão alinhadas no momento atual das conversas.

A Petrobras evita injetar capital para não caracterizar uma estatização da empresa. Além disso, a petroleira teme herdar os riscos bilionários do passivo relacionado ao afundamento de bairros em Maceió, Alagoas.

A IG4 Capital acredita que a Braskem não precisa de capital novo antes da implementação de um plano de reestruturação sólido. Uma fonte defendeu a posição dizendo que “Não se faz aporte para pagar credores”.

Estratégia de jogo duro nas negociações

Gestoras estrangeiras que compraram papéis baratos visando lucro costumam ser implacáveis. Elas não aceitam apenas receber juros passivamente e exigem garantias de que a companhia voltará a gerar resultados positivos rapidamente.

“Esses credores não querem ficar passivamente recebendo juro em cima de um plano de recuperação da empresa que pode não dar certo”, afirmou uma fonte familiarizada com as exigências dos investidores internacionais.

Eles defendem um choque de capital para garantir a operação. Outro interlocutor foi ainda mais direto sobre os reais interesses dos fundos envolvidos no processo: “Não querem reestruturação, querem o dinheiro”.

Próximos passos e prazos fatais

As conversas devem continuar até o fim de agosto, buscando um plano de recuperação extrajudicial. Para isso, a Braskem precisa atrair ao menos 33% dos seus credores, o que exige diálogo com os bondholders.

A empresa afirmou em comunicado que segue interagindo com assessores e credores de forma contínua. Por enquanto, as propostas recebidas são apenas indicativas e permanecem sob análise detalhada pela diretoria da companhia.

A fonte original desta notícia é o Estadão e você pode conferir todos os detalhes na matéria original através deste link: Estadão | Braskem e credores vivem impasse.

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