Um novo capítulo de tensão marca os bastidores do setor de energia e saneamento em São Paulo. Acionistas minoritários da Emae decidiram recorrer à Justiça para tentar impedir a Assembleia Geral Extraordinária prevista para esta quinta-feira, dia 30.
O objetivo do grupo é suspender a votação que deve selar a incorporação da Emae pela Sabesp. Segundo os investidores, a proposta atual apresenta uma relação de troca de ações que seria injusta e carente de transparência econômica.
Além da esfera judicial, o caso também está sendo analisado pela Comissão de Valores Mobiliários, a CVM, por meio de um processo administrativo, conforme divulgado pelo Estadão.
Entenda o conflito sobre a incorporação da Emae pela Sabesp
A Sabesp assumiu o controle da Emae em outubro de 2025, após um investimento de R$ 1,13 bilhão. Meses depois, a companhia anunciou o plano de fechar o capital da empresa adquirida, propondo que cada ação da Emae seja trocada por 1,319 papel da gigante do saneamento.
Os minoritários alegam que não tiveram acesso a documentos fundamentais para avaliar o negócio. Eles defendem que o valor atribuído à ação da Emae na troca, de R$ 40,03, está muito abaixo dos preços praticados em operações recentes no mercado financeiro.
Para efeito de comparação, o fundo Phoenix pagou R$ 70,65 por ação durante a privatização em 2024. Até mesmo a oferta pública feita pela própria Sabesp, encerrada recentemente, teve o valor de R$ 61,83 por cada papel, o que gera revolta entre os acionistas.
Independência de comitês sob forte questionamento
A petição protocolada pelos acionistas utiliza termos duros para classificar os comitês independentes criados para a negociação. Eles são chamados de comitês de fancaria, ou de araque, sob o argumento de que apenas simulam uma independência que não existe na prática.
De acordo com os autores da ação, os membros desses comitês teriam sido eleitos para o conselho de administração pela própria Sabesp. Isso comprometeria a imparcialidade necessária para defender os interesses de quem não detém o controle da companhia de energia.
Outro ponto crítico citado é o fato de que um conselheiro divergente, eleito pelos minoritários, teria sido isolado durante as discussões. Questionamentos técnicos sobre a avaliação da empresa também teriam ficado sem as devidas respostas por parte da administração.
O impasse dos reservatórios e as dívidas bilionárias
Uma das reclamações mais graves envolve o uso das águas das represas Billings e Guarapiranga. Os minoritários afirmam que a Sabesp utiliza esses reservatórios para o abastecimento público sem oferecer uma remuneração considerada justa para a Emae.
Essa situação prejudicaria a atividade de geração de energia da empresa. Atualmente, existem processos na Justiça que buscam indenizações bilionárias sobre o tema. Caso a incorporação da Emae pela Sabesp se concretize, essas ações judiciais seriam automaticamente extintas.
Enquanto a Emae classifica a movimentação dos minoritários como oportunista, a Sabesp afirma que o processo segue rigorosamente a legislação. A companhia de saneamento já avisou, em fato relevante, que não pretende adiar a assembleia decisiva.
A fonte original é a Estadão | As Últimas Notícias do Brasil e do Mundo.






