O governo brasileiro decidiu elevar o imposto de importação para veículos elétricos a 35% a partir de julho, medida que pode encarecer ainda mais um segmento já caro.

Essa mudança chega em um momento delicado para as montadoras japonesas, que enfrentam prejuízos recordes e desafios na transição para a eletrificação, conforme relatado pelo Estadão.

Entenda como a carga tributária influencia os preços dos carros elétricos e o futuro das principais fabricantes japonesas no Brasil.

Impacto direto dos impostos sobre o preço dos veículos elétricos

O imposto de importação de 35% eleva significativamente o custo final dos modelos importados, reduzindo a competitividade frente a veículos a combustão. A alta carga tributária ainda se soma a outras taxas como IPI, ICMS e PIS/COFINS, que já encarecem os carros elétricos.

Consequências para consumidores brasileiros

Com o aumento dos tributos, a diferença de preço entre um carro elétrico e um movido a gasolina pode ultrapassar 30 mil reais, desestimulando a adesão de compradores que ainda ponderam sobre a autonomia e a infraestrutura de recarga.

Reação das montadoras japonesas

Honda, Nissan e Toyota já lidam com resultados financeiros ruins; a Honda anunciou que registrará seu primeiro prejuízo líquido desde 1957 e que seu presidente reduzirá salário em 30% como medida de responsabilidade. A Nissan, por sua vez, segue em reestruturação com fechamento de fábricas planejado até 2028.

Essas empresas ainda são céticas quanto à expansão dos veículos elétricos, preferindo híbridos que se adaptam melhor às linhas de produção tradicionais.

Desafios da eletrificação para as japonesas

Os fabricantes japoneses têm dificuldade em adaptar suas cadeias de produção à fabricação de VEs, que exigem mais software que mecânica. A Honda, por exemplo, lançou seu primeiro EV em massa em parceria com a General Motors, mas ainda enfrenta altos custos de desenvolvimento.

A Nissan buscou parceria com a startup britânica Wayve para avançar em tecnologia de condução autônoma, enquanto a Toyota foca em híbridos e mantém participação estável na China, apesar de dúvidas sobre a demanda por VEs.

Custos e margens comprimidas

Segundo a corretora Bernstein, os custos fixos por unidade do setor são 78% maiores que há uma década, pressionando ainda mais as margens de lucro das montadoras japonesas.

Estratégias de colaboração

Em meio à crise, as empresas estão buscando cooperações em cadeias de suprimentos, como acordos para compras conjuntas de insumos básicos, visando maior poder de negociação.

Perspectivas para o mercado brasileiro

Se a carga tributária permanecer alta, a adoção de veículos elétricos no Brasil pode ficar restrita a nichos de alto poder aquisitivo, reduzindo o volume de vendas das montadoras estrangeiras.

Para melhorar o cenário, especialistas sugerem políticas de incentivo mais robustas, como redução de ICMS e subsídios à recarga, que poderiam equilibrar a competitividade dos VEs frente aos combustíveis fósseis.

Fonte original: Estadão | As Últimas Notícias do Brasil e do Mundo

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