O trabalho na era da IA: profissões tradicionais devem sofrer mudanças?

Série do ‘Estadão’ projeta como advogados e médicos vão se readaptar à nova forma de trabalhar com a IA. Crédito: Jayanne Rodrigues | Estadão

BRASÍLIA – A Confederação Nacional do Comércio (CNC) divulgou, nesta segunda-feira, 23, um levantamento em que diz que o custo total de adequação ao fim da escala 6×1 no comércio é estimado em R$ 122,4 bilhões anuais. O valor representaria aumento instantâneo de 21% na folha salarial do segmento. No setor de serviços, o impacto estimado é de R$ 235 bilhões.

O documento intitulado Parecer técnico-econômico: análise dos impactos do fim da jornada 6×1 no Brasil diz que, entre os trabalhadores formais do comércio varejista, 93% cumprem jornadas superiores a 40 horas semanais, e entre os trabalhadores do atacado, 92% se encontram na mesma situação. Segundo a entidade, o “choque” pode resultar em 631 mil empregos formais a menos no curto e médio prazos.

A CNC também diz que o “choque” na folha de pagamentos implicaria aumento de 13% nos preços ao consumidor final. Porém, a confederação diz que o comércio não conta com o repasse integral desse valor, porque a renda da população não seria compatível.

“Consequentemente, o setor se submeteria a um choque significativo na sua principal fonte de receitas, o faturamento decorrente da revenda de mercadorias, o que, em última instância, induziria o setor a reajustar o próprio quadro de funcionários para fazer adequar-se à essa redução de demanda”, diz o texto.

A confederação também afirma que, para um ponto porcentual de aumento dos preços ao consumidor final, “incorre-se uma perda de 0,08 ponto porcentual no Excedente Operacional Bruto do setor (EOB)”.

A organização prossegue: “Desse modo, impacto agregado resultante aponta para uma redução de 5,7% (0,057 ponto porcentual) no Excedente Operacional Bruto do comércio de modo que, a valor presente, o EOB do comércio seria reduzido em R$ 73,31 bilhões — superando, por exemplo, em mais de R$ 2 bilhões tudo que o comércio varejista faturou com o Natal de 2024”.

Outro apontamento é de que o turismo seria um dos setores mais vulneráveis, com custo potencial de adequação de 54%, “dada a impossibilidade de automatizar serviços essenciais como hospedagem, alimentação e atendimento presencial”.

A proposta de fim da escala 6×1 passará a ser analisada nesta terça-feira, 24, na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara. A expectativa é de que a CCJ anuncie como relator da matéria o deputado Paulo Azi (União-BA), mas oficialmente o presidente do colegiado, Leur Lomanto Jr. (União-BA), diz que outros nomes ainda são cotados.

Fonte: Estadão | As Últimas Notícias do Brasil e do Mundo

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