Impacto das IAs na escolha do eleitor e as normas do TSE

O avanço da inteligência artificial trouxe novas facilidades para o dia a dia, mas também acendeu um alerta vermelho para o processo democrático brasileiro, especialmente com a proximidade das próximas eleições.

Um levantamento recente aponta que a grande maioria das ferramentas de chat está organizando nomes de políticos em listas de preferência, o que pode induzir a escolha dos eleitores de forma silenciosa.

Essa prática fere diretamente as normas estabelecidas pela justiça eleitoral para garantir a igualdade entre os concorrentes, conforme divulgado pelo Notícias ao Minuto Brasil.

O estudo realizado pelo Instituto de Tecnologia e Sociedade (ITS) revelou que seis dos sete principais chatbots de IA do mercado fazem algum tipo de ranqueamento de candidatos presidenciais em suas respostas.

Foram testadas plataformas populares como ChatGPT, Claude, Gemini, MetaAI, DeepSeek, Perplexity e Grok. Com exceção da ferramenta da Meta, todas apresentaram os nomes em listas hierarquizadas ou sem critérios claros.

Segundo Karina Santos, coordenadora da pesquisa, a preocupação da Justiça Eleitoral é relevante porque o benefício a certas candidaturas pode ocorrer de forma sutil, através da organização da informação.

O que diz a resolução do Tribunal Superior Eleitoral

A resolução 23.755/2026 do TSE proíbe explicitamente que ferramentas de inteligência artificial sugiram, recomendem ou priorizem candidatos e partidos, ou que emitam qualquer tipo de opinião política.

A especialista ressalta que “o nome que vai no topo da resposta e tem mais visibilidade, os candidatos que recebem descrições mais detalhadas ou positivas, tudo isso pode ter impacto nesse primeiro contato do eleitor”.

Alucinações e falta de fontes oficiais

Outro ponto crítico do estudo é que apenas 12% das respostas analisadas direcionaram os usuários para fontes oficiais, como o site do TSE. A maioria das referências veio da imprensa ou de pesquisas eleitorais variadas.

As chamadas alucinações de IA também preocupam. A plataforma Perplexity, por exemplo, chegou a afirmar incorretamente que não haveria eleições presidenciais no Brasil em 2026, uma falha grave de informação.

Já o chatbot DeepSeek apresentou erros em 8% dos casos, chegando a listar a “Frente pela Vida”, uma organização social, como se fosse uma candidata à Presidência da República nas próximas eleições.

Até a MetaAI demonstrou limitações ao afirmar: “Parece que não encontrei informações específicas sobre candidatos a presidente no Brasil para este ano nas minhas fontes mais recentes”, ao ser questionada sobre o tema.

Monitoramento contínuo e transparência

O monitoramento dessas tecnologias pela Justiça Eleitoral será um grande desafio, pois o comportamento dos robôs muda conforme o contexto, o dia, as atualizações constantes e o perfil de cada usuário que faz a pergunta.

Para garantir a integridade das eleições, os pesquisadores defendem a necessidade de auditorias contínuas e maior transparência das grandes plataformas sobre os critérios usados para construir as respostas políticas.

A fonte original deste conteúdo é o Notícias ao Minuto Brasil: Notícias ao Minuto Brasil.

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