O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, autorizou que a Polícia Federal monitore o celular do senador Jaques Wagner em tempo real. A medida drástica foi tomada após o magistrado identificar riscos de vazamento de dados.

Segundo as investigações conduzidas pela PF, o senador teria visitado o gabinete do ministro pouco antes da deflagração de uma operação importante. Esse movimento gerou um alerta sobre a segurança das informações sigilosas.

A decisão permitiu o acesso aos registros de chamadas e a localização do parlamentar, visando garantir a eficácia das diligências e evitar a destruição de provas, conforme divulgado pela Folhapress.

Entenda o monitoramento do senador Jaques Wagner e a investigação do Banco Master

O risco de vazamento e a visita ao Supremo

O ministro André Mendonça destacou que houve um risco agudo de vazamento das diligências. Ele citou que um dos investigados solicitou uma audiência em seu gabinete no mesmo dia em que as representações da PF chegaram.

Investigações indicam que o próprio Jaques Wagner esteve no STF para falar com Mendonça em 17 de junho, véspera da operação. Para o relator, o acesso aos dados técnicos de localização era operacionalmente relevante para o caso.

O monitoramento autorizado durou dez dias e focou na localização aproximada e na reconstrução da rede de comunicações. O conteúdo das mensagens, contudo, não teve o acesso liberado nesta decisão específica do magistrado.

As suspeitas de corrupção e o apartamento de luxo

A Polícia Federal investiga se o senador recebeu vantagens indevidas ligadas ao Banco Master. Entre os itens analisados está um apartamento em Salvador, avaliado em cerca de R$ 2,5 milhões, que estaria vinculado ao parlamentar.

Mensagens interceptadas mostram Jaques Wagner enviando detalhes sobre o imóvel para Augusto Lima, ex-sócio da instituição financeira. Em um dos textos, o senador solicita dados do proprietário real para realizar projetos no local.

Para o ministro Mendonça, esses elementos reforçam a hipótese de que o imóvel estava registrado em nome de terceiros. Essa estrutura serviria para dissimular a titularidade real do bem de luxo investigado pela polícia.

Movimentações financeiras no núcleo familiar

Além do imóvel, a PF identificou repasses financeiros suspeitos. Uma empresa ligada a Augusto Lima teria transferido R$ 3,5 milhões para uma firma pertencente ao cunhado de Jaques Wagner, Eduardo Sodré, em outubro de 2025.

Essa transferência ocorreu após o Banco Central barrar uma negociação do Master. Mensagens sugerem que Sodré cobrou o pagamento, enquanto o empresário justificava atrasos devido a uma crise interna enfrentada pelo banco na época.

Mendonça considerou que tais transferências são evidências de uma proximidade financeira atípica entre o senador e os investigados. O inquérito busca confirmar se houve tráfico de influência nas negociações citadas.

A defesa do senador e as críticas à operação

Em declarações anteriores, Jaques Wagner negou qualquer irregularidade e classificou a ação da Polícia Federal como uma patacoada. O parlamentar afirmou que a investigação está tentando criminalizar relacionamentos pessoais legítimos.

Wagner declarou que nunca trabalhou a favor do Banco Master e que a PF não conseguirá provar uma relação de troca. Ele sustenta que desconhece valores pagos a empresas de seus familiares e que agiu de forma ética.

O caso segue em tramitação no Supremo, agora com o sigilo retirado de partes importantes da decisão. O senador reafirma que está à disposição da Justiça para prestar todos os esclarecimentos necessários sobre sua conduta.

A fonte original desta notícia é o portal Notícias ao Minuto Brasil, e você pode conferir o conteúdo completo no link: Notícias ao Minuto Brasil.

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