Para Marcos Jank, professor de agronegócios globais no Insper, o agronegócio brasileiro corre o risco de enfrentar um desabastecimento de fertilizantes se a guerra no Oriente Médio piorar. O Brasil tem extrema dependência das importações nessa área, comprando do exterior cerca de 85% de todo o fertilizante que consome. Por ano, são importadas 45 milhões de toneladas dos produtos, que vêm de países como Rússia, Canadá, Marrocos, Arábia Saudita e China.
“O maior impacto da guerra é o aumento do preço do petróleo, do gás natural e dos fertilizantes. Principalmente dos fertilizantes nitrogenados, setor no qual o Oriente Médio é superimportante. É menos importante do que a China, mas a China compra gás natural no Oriente Médio para fazer os fertilizantes nitrogenados”, diz Jank.
A partir de abril, Marcos Jank será o novo colunista do Estadão sobre agronegócio. Com quase 40 anos de carreira no setor, ele publicará análises em texto e vídeo e conduzirá entrevistas em que conectará agronegócio, geopolítica e políticas públicas. Tratará de temas como a inserção do Brasil no mundo, segurança alimentar, barreiras tarifárias e a fragilidade de estreitos marítimos globais. Este, aliás, será o assunto da sua estreia, na sexta-feira, 3 de abril.
“O maior impacto da guerra é o aumento do preço do petróleo, do gás natural e dos fertilizantes. Principalmente dos fertilizantes nitrogenados, setor no qual o Oriente Médio é superimportante. É menos importante do que a China, mas a China compra gás natural no Oriente Médio para fazer os fertilizantes nitrogenados”, diz Jank.

Marcos Jank, professor sênior de agronegócios globais no Insper, diz que setor corre risco de desabastecimento de fertilizantes por causa da guerra no Oriente Médio Foto: Marcos Jank/Acervo Pessoal
A chegada de Jank coincide com um novo momento da cobertura de agronegócio no Estadão. O portal Agro Estadão está sendo descontinuado a partir desta quinta-feira, 26. A cobertura passa a ser feita dentro da editoria de Economia, tanto no digital quanto no impresso, com foco em oferecer informação que se torne vantagem competitiva para quem decide o futuro do agro. Para um público mais amplo, contextualizar o agronegócio como motor da economia brasileira, olhando diretamente para os negócios do agro e seu impacto para o País.
Essa proposta estará presente em cinco pilares editoriais:
- Negócios que movem o agro: cobertura de empresas, investimentos e movimentos de mercado, com antecipação de decisões e leitura de cenário;
- Brasília como centro do poder do agro: as discussões no Congresso, Judiciário e órgãos reguladores; a atuação da Frente Parlamentar do Agro (FPA) e organizações do setor, com atenção especial a bastidores, articulações e impactos;
- Geopolítica: curadoria e análise de eventos internacionais com impacto direto no agro;
- Voz e influência do agro: colocar-se como um espaço de expressão de lideranças do setor, integrar o agro aos grandes debates do País;
- Clima como variável de negócio: como a inteligência climática orienta a tomada de decisão no campo, os efeitos na produtividade e nos riscos da atividade.
Volta para casa
Jank é formado em Engenharia Agronômica pela Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (ESALQ-USP), mestre em Política Agrícola no Ciheam de Montpellier (França), doutor em Administração pela Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade (FEA-USP) e livre-docente pela ESALQ-USP. Também foi presidente da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica), de 2007 a 2012, e presidente da Aliança Agro Ásia-Brasil, de 2017 a 2019.
Além de vasta experiência na iniciativa privada, onde é membro do conselho de administração da Colombo Agroindústria, chairman do Conselho Consultivo de Sustentabilidade e Inovação da Minerva Foods e do Conselho Consultivo da GK Partners, Jank foi assessor especial do ministro Celso Lafer no Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (Mdic) em 1999.
Ele atua ainda como membro do Conselho Curador do Centro Brasileiro de Relações Internacionais (Cebri), do Conselho Empresarial Brasil-China (CEBC) e do Conselho Superior de Agronegócio da Fiesp (Cosag). No exterior, foi especialista em integração e comércio na Divisão de Integração, Comércio e Assuntos Hemisféricos do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) em Washington (2001-2002).
Jank encara sua chegada como colunista do Estadão como uma “volta para casa”, uma vez que já colaborou com o jornal e com a Rádio Eldorado por cerca de uma década no passado. Segundo ele, seu objetivo é fugir da superficialidade, buscando trazer informações de qualidade, densas e bem referenciadas. Jank deseja dar uma forte conotação internacional aos seus textos, abordando temas como a inserção do Brasil no mundo, segurança alimentar, barreiras tarifárias e a fragilidade de estreitos marítimos globais.
“Na coluna, eu pretendo dar muito essa conotação internacional ao agronegócio. Pelo menos, enquanto ela estiver com a força que o assunto está hoje. Além disso, pretendo trazer uma análise mais estrutural e densa sobre o agronegócio”, afirma.
Neste movimento de volta para casa, Jank também assumiu a curadoria de uma das trilhas do São Paulo Innovation Week. Ele e Ana Paula Malvestio, consultora e conselheira de empresa do agro, estão montando a programação de agronegócio do festival de inovação, realização do Estadão em parceria com a Base Eventos. O SPIW ocorre de 12 a 15 de maio, na Mercado Livre Arena Pacaembu e na Faap. Os ingressos já estão à venda e os assinantes do jornal têm desconto.
Setor resiliente
Para Marcos Jank, os problemas causados pela guerra ao agronegócio testam a resiliência do setor, responsável por 50% das exportações do País. O professor lembra também que a agricultura brasileira possui prazos fixos que não podem ser ignorados, como o plantio que começa em setembro, com a chegada das chuvas. Por isso, um atraso logístico ou falta de produto nesse momento crítico pode comprometer toda a safra nacional.
Jank diz que o agronegócio enfrenta um ano de margens de lucro muito reduzidas devido à queda de preços dos produtos agrícolas e ao aumento de custos de produção, mas também lembra que o Brasil é líder em bioenergia (etanol de cana e milho e biodiesel), que ganha relevância estratégica global como alternativa aos combustíveis fósseis e como solução para a transição energética. Essa vantagem competitiva brasileira é vista como uma das maiores forças vindas do agronegócio atualmente e tem potencial para se tornar maior do que é hoje.
“A bioenergia é uma das soluções importantes que deveriam ser mais reconhecidas pelo mundo da transição energética para sair da dependência por combustíveis fósseis e ir para combustíveis renováveis e limpos”, afirma.
Fonte: Estadão | As Últimas Notícias do Brasil e do Mundo







