Brasil amplia presença na Europa com salto nas exportações do agronegócio
O agronegócio brasileiro vive um momento de forte expansão no mercado internacional, registrando números expressivos após o início da aplicação provisória do acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia.
Entre os meses de maio e setembro de 2026, as vendas externas para o bloco europeu apresentaram um salto significativo, beneficiando produtores de diversos segmentos, desde grãos até proteínas animais e frutas tropicais.
Esse desempenho reflete a redução gradual de barreiras tarifárias e a crescente demanda por produtos nacionais de alta qualidade, conforme divulgado pelo Estadão.
Exportações do agronegócio brasileiro batem recordes com avanço do acordo comercial
As exportações do agronegócio brasileiro para a União Europeia cresceram 14,8% em valor nos primeiros cinco meses de aplicação do novo tratado comercial. As vendas somaram US$ 12,21 bilhões no período analisado.
Segundo dados do Ministério da Agricultura, o volume de embarques avançou 8,1%, totalizando 17,74 milhões de toneladas. O superávit comercial com o bloco europeu subiu 17%, atingindo a marca de US$ 10,54 bilhões.
O ex-ministro Roberto Rodrigues afirmou, durante a Agrishow, que essa abertura de mercado é estratégica, embora os efeitos totais devam ser diluídos e sentidos com maior intensidade ao longo dos próximos anos.
O impacto direto no complexo soja e nas carnes
O complexo soja permanece como o principal pilar da pauta exportadora. As vendas do grão, farelo e óleo cresceram 34,2% em valor, somando US$ 4,19 bilhões, impulsionadas pela forte demanda internacional.
Já o setor de carnes registrou um desempenho histórico, com alta de 103,5% em receita. O volume enviado saltou de 101 mil para 272 mil toneladas, consolidando o Brasil como um fornecedor essencial de proteína.
Outro destaque surpreendente foi o setor apícola. As exportações de mel avançaram impressionantes 367% em valor, mostrando a diversificação e a competitividade dos produtos de origem animal no mercado europeu.
Diversificação da pauta e o salto nas vendas de frutas
As frutas brasileiras também ganharam espaço nas prateleiras europeias. O abacate teve um crescimento explosivo de 421,2% em vendas, enquanto os embarques de manga e maçã subiram 31,2% e 28,8%, respectivamente.
No segmento cafeeiro, o café torrado apresentou alta de 91,6% em valor. O café solúvel também acompanhou a tendência positiva, com crescimento de 19% em receita e mais de 38% em quantidade total exportada.
Produtos florestais e óleos vegetais, como o óleo de milho bruto, que cresceu 266,3%, reforçam a tendência de que o acordo está beneficiando não apenas as commodities tradicionais, mas também itens processados.
Reduções tarifárias e o futuro das negociações
O crescimento coincide com o início das preferências tarifárias. Produtos como café torrado e abacate já contam com reduções de impostos, com previsão de liberalização completa das taxas até o ano de 2030.
O acordo prevê condições especiais para carnes, açúcar, etanol e milho. Em muitos casos, os benefícios estão vinculados a cotas específicas de importação, que devem ser ampliadas de forma gradual nas próximas etapas.
A implementação definitiva da parceria ainda depende da ratificação total pelos países membros. No entanto, a aplicação provisória já demonstra o potencial de conectar mercados que somam um PIB de US$ 22 trilhões.
Desafios regulatórios e exigências ambientais
Apesar do sucesso comercial, o acesso contínuo ao mercado europeu exige atenção rigorosa às normas sanitárias e de rastreabilidade. O cumprimento de leis ambientais é um ponto central para manter o ritmo de crescimento.
Um dos grandes desafios para os produtores nacionais é a adequação ao Regulamento da União Europeia sobre Produtos Livres de Desmatamento, o EUDR, que impõe critérios rígidos para a entrada de mercadorias no bloco.
A modernização das cadeias produtivas e a transparência nos processos de produção são fundamentais para garantir que as exportações do agronegócio brasileiro continuem quebrando recordes e fortalecendo a economia nacional.
A fonte original desta notícia é o Estadão: Exportações do agro brasileiro à União Europeia crescem 14,8% em receita após acordo com Mercosul.




