O setor de agronegócio brasileiro está prestes a ganhar um novo player de peso no mercado financeiro. O Grupo Potencial, gigante do setor de biodiesel, anunciou a criação de um banco próprio focado no financiamento rural.
A estratégia busca estreitar os laços com os agricultores, transformando a colheita em um ativo financeiro direto. Essa movimentação promete mudar a forma como o crédito chega ao campo, especialmente para fornecedores estratégicos.
Com planos ambiciosos de expansão, a companhia aguarda as licenças regulatórias para transformar a soja em sua principal ferramenta de troca comercial, conforme divulgado pelo Estadão.
O novo banco do Grupo Potencial e a estratégia da soja como moeda
Crédito direto para o campo
A intenção do Grupo Potencial é financiar diretamente os agricultores que fornecem soja para sua unidade esmagadora na Lapa, no Paraná. O projeto deve começar a operar plenamente no segundo semestre de 2027.
Segundo Carlos Eduardo Hammerschmidt, vice-presidente da companhia, a soja será usada como moeda de troca para a indústria. O pedido de autorização para o novo banco já está sob análise técnica no Banco Central.
A expectativa é que a licença seja concedida em até sete meses. Com a nova estrutura, o grupo pretende ampliar os serviços financeiros e atender também as demandas de clientes externos interessados em crédito.
Expansão para o etanol de milho
Além do setor bancário, a empresa planeja construir uma usina de etanol de milho com início das obras previsto para 2027. O investimento inicial em instalações físicas é estimado em cerca de R$ 1 bilhão de reais.
Somando a necessidade de capital para compra e estoque do cereal, o aporte total deve atingir R$ 1,7 bilhão. A meta ousada é alcançar uma capacidade produtiva de 350 milhões de litros de combustível por ano.
A empresa também projeta um crescimento expressivo em seu faturamento, estimando chegar aos R$ 14 bilhões em 2026. Para isso, a recente entrada na distribuição de combustíveis na Bahia será um passo fundamental.
Cenário do crédito rural no Brasil
A movimentação ocorre em um momento de transformações no crédito rural nacional. O Sicredi, por exemplo, liberou R$ 22,4 bilhões para o campo no início da safra, um crescimento de 4,3% sobre o período anterior.
Enquanto o crédito tradicional recuou 26% devido ao endividamento do setor, as cooperativas buscam novas formas de negociação. O Sicredi realizou mais de 14 mil operações de renegociação de dívidas recentemente.
Vitor Moraes, superintendente da cooperativa, afirma que mais importante do que crescer é garantir o desenvolvimento saudável da produção. O cenário atual exige cautela e parcerias sólidas entre bancos e produtores.
Foco em sustentabilidade e pecuária
O mercado financeiro também olha para a sustentabilidade. O Itaú BBA estruturou operações de R$ 205 milhões para a pecuária sustentável, focando na recuperação de pastagens e sistemas de integração lavoura,pecuária.
Essas operações utilizam recursos do Leilão do Eco Invest Brasil e buscam acelerar a transição para uma agropecuária de baixo carbono. Projetos em Mato Grosso e na Amazônia já estão recebendo esses aportes financeiros.
Pedro Fernandes, diretor do banco, destaca que o objetivo é apoiar produtores comprometidos com a evolução de seus sistemas produtivos, garantindo uma pecuária mais intensiva e ambientalmente correta no país.
A fonte original desta notícia é o Estadão, que detalha os planos de expansão do agronegócio e do setor de combustíveis. Para ler o conteúdo completo, acesse a matéria original em: Estadão.



