Uma operação da Polícia Federal resultou na prisão do ex‑presidente do Banco de Brasília (BRB), Paulo Henrique Costa, sob acusação de receber propina de R$ 140 milhões em imóveis de Daniel Vorcaro. A investigação trouxe à tona conversas telefônicas que demonstram como o BRB teria coberto a crise de liquidez do Banco Master a partir de agosto de 2024, antes da proposta de compra anunciada em março de 2025.

Os diálogos, obtidos com exclusividade pelo Estadão, revelam que o banco estatal injetou recursos ao Master por meio de cessão de carteiras de crédito consignado, cédulas de crédito bancário e outros investimentos, criando um mecanismo de apoio que se intensificou ao longo de 2024 e 2025. Conforme divulgado pelo Estadão, as discussões mostram ainda que o Master passou a fabricar carteiras falsas para viabilizar os aportes do BRB.

Além da prisão, as investigações apontam que o Master realizou repasses ao BRB que totalizaram R$ 12,2 bilhões em carteiras de crédito, muitas delas de origem duvidosa, culminando na liquidação do banco em novembro de 2025 após fraudes bilionárias descobertas pelas autoridades.

Como surgiram os aportes do BRB ao Banco Master

Primeiros sinais de apoio estatal

Diálogos extraídos do celular de Daniel Vorcaro mostram que, desde agosto de 2024, o BRB começou a fornecer recursos ao Master para evitar sua falência. Em mensagens de setembro de 2024, Vorcaro menciona a necessidade urgente de usar o “depósito compulsório” caso o apoio do banco público não chegasse.

Uso de carteiras de crédito consignado

Entre julho e dezembro de 2024, o Master vendeu ao BRB diversas carteiras de crédito consignado. Em dezembro, Vorcaro pediu a Augusto Lima, sócio no Master, cerca de R$ 600 milhões para reforçar o caixa, ao que Lima respondeu que o aporte entraria naquela semana.

Fraude nas carteiras e criação da empresa Tirreno

A partir de janeiro de 2025, o Master passou a vender ao BRB carteiras da Tirreno, empresa de fachada criada por Vorcaro para fraudar operações. Em março, foram repassados R$ 1,12 bilhão em 8 contratos, somando R$ 4,6 bilhões ao total de recursos injetados antes da oferta oficial de compra.

Reação do Banco Central e consequências

O BRB anunciou a compra de participação no Master no valor de R$ 2 bilhões, mas a operação foi vetada pelo Banco Central em setembro de 2025. As investigações revelaram que as carteiras podres totalizaram R$ 12,2 bilhões, levando à liquidação do Master em novembro de 2025.

A fonte original da matéria é o Estadão | As Últimas Notícias do Brasil e do Mundo.

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