O governo Lula vive um embate clássico com o Banco Central, comparado à fábula do escorpião e do sapo. Apesar da autonomia garantida por lei, o Planalto e o PT insistem em interferir, arriscando o sucesso recente da política monetária.

Com Gabriel Galípolo à frente desde 2025, o BC manteve a inflação sob controle, abaixo de 4%, mesmo com expansão econômica. Mas agora, Haddad e o PT pressionam por um nome de confiança na Diretoria de Política Econômica, sem o preparo necessário para o cargo.

Essa movimentação chega em momento delicado, com Lula mirando reeleição e o BC reconsolidando sua reputação. Por que arriscar tudo agora? Conforme divulgado pelo Estadão.

Tensões históricas entre Planalto e Banco Central

Lula e o PT nunca esconderam o descontentamento com a autonomia do Banco Central. A lei de 2021 descasou mandatos dos diretores dos presidenciais, garantindo independência similar à do STF.

Durante o Lula 3, houve fogo amigo constante. O governo criticava decisões do BC, como a Selic em 12,25%, acusando favoritismo ao mercado. Lula prometeu não interferir com Galípolo, mas a desconfiança persiste.

Galípolo surpreende e salva a política monetária

Indicado por Lula no início de 2025, Gabriel Galípolo recusou-se a ceder às expectativas do governo. Manteve o curso firme, evitando que a farra fiscal virasse desastre inflacionário.

Resultado: inflação controlada, economia crescendo e afrouxamento monetário à vista. Sete dos nove diretores já são de Lula, mas a independência prevaleceu, reerguendo a credibilidade do BC.

Indicações polêmicas para 2026 ameaçam tudo

Mandatos de dois diretores acabam em dezembro de 2025: Diogo Guillen (Política Econômica) e Renato Gomes (Organização do Sistema Financeiro). Governo adia indicações para 2026 por tensão com o Senado.

PT quer alguém de absoluta confiança na Política Econômica, mas sem perfil ou currículo adequados. Críticos veem risco à autonomia, especialmente com Lula pretendendo reeleição.

É da natureza do partido, dizem petistas lúcidos. O BC pode perder o que conquistou com tanto esforço.

Fonte original: Estadão

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