A economia brasileira enfrenta um momento de encruzilhada, onde as medidas para estimular o crescimento podem estar gerando o efeito oposto do esperado, segundo especialistas renomados do setor financeiro nacional.
A economista Silvia Matos, uma das vozes mais influentes da FGV/Ibre, aponta que o foco em gastos públicos elevados tem forçado o Banco Central a manter taxas de juros reais em patamares restritivos por mais tempo.
A especialista alerta que essa dinâmica cria uma armadilha econômica, onde o alívio imediato compromete a estabilidade futura das contas públicas e o poder de compra, conforme divulgado pelo Estadão.
Por que os estímulos fiscais podem prejudicar a economia brasileira?
O efeito rebote dos gastos públicos
Para a economista Silvia Matos, a tentativa de impulsionar a economia brasileira através de incentivos fiscais tem gerado consequências severas. Ela utiliza a expressão de que o tiro sai pela culatra ao analisar os resultados práticos.
Segundo a coordenadora, “Tem um efeito de curto prazo de estimular a economia, mas, por outro lado, você convive com juros reais altos por um tempo muito mais prolongado”, o que encarece o crédito para todos.
O cenário atual mostra que, sem ociosidade na produção, qualquer estímulo adicional gera inflação. Como o governo financia esses gastos com dívida pública, o custo para o país se torna cada vez mais elevado e insustentável.
Desaceleração à vista e os desafios para 2027
As projeções para o futuro próximo não são otimistas. Matos prevê que a desaceleração econômica será contundente, com reflexos que já começam a ser sentidos neste segundo semestre e devem se agravar nos próximos anos.
A especialista afirma que “A gente já começa o ano (2027) com baixo crescimento, em linha com o que a gente já está observando nesse segundo semestre”, destacando que a incerteza política e climática trava os investimentos.
Setores fundamentais como a agropecuária enfrentam riscos extras devido ao fenômeno El Niño. Com o agronegócio representando quase um quarto do PIB, qualquer quebra de safra pode derrubar ainda mais o desempenho nacional.
O mercado de trabalho e o antibiótico dos juros
O mercado de trabalho também começa a mostrar sinais de fraqueza, acompanhando a queda das atividades cíclicas. Para a economista, a política monetária está agindo, mas o custo social para controlar os preços é alto.
Ela compara a situação ao uso de medicamentos: “A questão é que você tem de tomar antibiótico, uma dose maior ainda, para gerar o mesmo efeito. E, quando a gente fica muito tempo tomando muito antibiótico, tem efeitos colaterais”.
Esses efeitos incluem um período mais longo de endividamento das famílias e empresas. Em um contexto de juros elevados, o processo de recuperação se torna mais lento, prejudicando especialmente as camadas mais vulneráveis da sociedade.
A necessidade urgente de reformas fiscais
O cenário das contas públicas exige mudanças estruturais profundas. No entanto, a polarização política no Congresso Nacional dificulta a aprovação de reformas que poderiam desvincular gastos obrigatórios e aliviar o orçamento.
Matos destaca que “Como o contexto é polarizado, é muito difícil achar um apoio político para um cenário de mudanças relevantes no fiscal”, citando a necessidade de discutir temas como o reajuste do salário mínimo e a Previdência.
Sem um ajuste rápido e eficiente, o Brasil corre o risco de entrar em 2027 com uma economia fragilizada. A sustentabilidade da dívida dependerá da capacidade do governo em gerar confiança e atrair novos investimentos produtivos.
A fonte original desta notícia é o Estadão, e você pode conferir a entrevista completa através do link: Estadão | As Últimas Notícias do Brasil e do Mundo.




