A instabilidade no mercado de energia voltou a preocupar motoristas e produtores rurais em todo o mundo. A recente movimentação de grandes potências para liberar estoques tenta conter a alta nos valores.
O foco das atenções está em uma possível restrição severa vinda da América do Norte. Uma proibição das exportações de diesel pelos Estados Unidos poderia causar um caos econômico em diversos países parceiros.
Essa medida afetaria diretamente o transporte rodoviário e a produção de alimentos, especialmente em nações dependentes como o Brasil, conforme divulgado pelo Estadão.
O impacto direto no abastecimento e no preço do diesel no Brasil
O Brasil se consolidou recentemente como o principal comprador de diesel dos Estados Unidos. Essa dependência aumentou após as restrições impostas pela Rússia, que sofreu ataques em suas refinarias.
O setor agrícola brasileiro, que sustenta grande parte da economia nacional, é movido por esse combustível. Sem o suprimento americano, o país teria dificuldades imediatas para manter o ritmo de sua produção.
Para tentar mitigar os riscos, o governo e a Petrobras buscam alternativas. De acordo com Magda Chambriard, CEO da Petrobras, a empresa já reservou cargas para garantir o abastecimento no curto prazo.
América Latina seria a região mais atingida pela crise
Dados da consultoria Vortexa mostram que o Brasil e o México lideram o ranking mundial de importação de diesel americano. Uma interrupção no fluxo seria desastrosa para a estabilidade regional.
“A América Latina seria absolutamente golpeada por uma proibição”, avaliou Robin J. Brooks, especialista da Brookings Institution. Países como Chile e Equador também enfrentariam sérios problemas de energia.
O Chile, por exemplo, depende dos EUA para 88% de suas importações de diesel. A falta de capacidade de refino própria na América Central agrava ainda mais a vulnerabilidade desses países vizinhos.
Europa enfrenta temores de recessão com falta de combustível
Não é apenas o continente americano que está em alerta. Países como Grã-Bretanha e Países Baixos são grandes importadores e seriam atingidos em um momento de fragilidade após a redução do uso de gás russo.
A Grã-Bretanha importa cerca de um terço de seu diesel dos Estados Unidos. O fechamento de refinarias domésticas impede que o país consiga elevar sua própria produção de forma rápida e eficiente.
Nos Países Baixos, a situação é crítica por serem um polo logístico. Uma proibição americana esvaziaria estoques e interromperia o transporte de mercadorias por barcaças em rios importantes, como o Reno.
Os riscos para a credibilidade dos Estados Unidos no mercado
Especialistas alertam que os próprios EUA poderiam sair perdendo. Philip K. Verleger comparou a situação ao embargo da soja de 1973, que acabou impulsionando a concorrência brasileira no setor agrícola.
“Uma proibição das exportações de diesel minaria a credibilidade dos EUA como um fornecedor confiável de energia”, afirmou Verleger. Isso aceleraria a busca por fontes alternativas e renováveis no mundo.
Essa mudança forçada poderia fazer com que parceiros históricos buscassem novos fornecedores, como a Índia, ou investissem pesado na expansão da produção de biodiesel a partir da soja nacional.
A fonte original desta notícia é o Estadão, disponível em: Estadão | As Últimas Notícias do Brasil e do Mundo






