O cenário econômico brasileiro enfrenta um momento de forte tensão para o setor corporativo. O país acaba de atingir a marca histórica de R$ 180 bilhões em dívidas acumuladas em processos de recuperação judicial e extrajudicial.

Empresas de diversos portes e segmentos, com destaque para grandes nomes como a Braskem, buscam reestruturar seus débitos em meio a um ambiente de juros elevados e mudanças bruscas nas condições de mercado atual.

O levantamento revela que a pressão financeira atinge desde gigantes industriais até pequenos negócios, refletindo uma vulnerabilidade sistêmica no caixa das companhias, conforme divulgado pelo Estadão.

Impacto dos juros altos na inadimplência empresarial

O número de empresas inadimplentes no Brasil atingiu o nível recorde de 9,3 milhões em agosto. Esse montante representa um crescimento de 14,3% na comparação com o mesmo período do ano passado.

Em volume total, as dívidas que não foram pagas alcançaram R$ 244,4 bilhões, somando 68,2 milhões de operações. Cada empresa no vermelho possui, em média, 7,4 contas negativadas em seu nome.

A economista-chefe da Serasa Experian, Camila Abdelmalack, destaca que, embora o ritmo de crescimento tenha caído, ele segue elevado. “O crédito continua caro, o caixa permanece pressionado”, explica a especialista.

Setor de serviços lidera o ranking de dívidas

Mais da metade das companhias negativadas, cerca de 56%, pertence ao setor de serviços. O comércio aparece logo em seguida, respondendo por 32% das empresas que enfrentam dificuldades financeiras no país.

A indústria responde por 8% da base total, enquanto o setor primário representa 0,9%. O restante dos segmentos brasileiros compõe 3,1% do índice de inadimplência empresarial registrado recentemente.

No que diz respeito à origem dos débitos, 31,7% das contas vêm do setor de serviços e 19,7% de bancos ou cartões. Curiosamente, 75,6% do passivo negativado tem origem em setores não financeiros.

Micro e pequenas empresas são as mais afetadas

O recorte pelo porte das companhias revela que as micro e pequenas empresas concentram 8,8 milhões de CNPJs inadimplentes. Esse grupo acumula um total de 61,4 milhões de dívidas pendentes.

Para esses pequenos negócios, o passivo médio por CNPJ é de R$ 23.902,98. A situação é agravada pelo ambiente restritivo para empresas menores, que possuem menos garantias para negociar taxas melhores.

O tíquete médio das dívidas nessas categorias é de R$ 3.435,34. Esse cenário demonstra como a falta de fôlego financeiro atinge diretamente a base da pirâmide produtiva do Brasil, dificultando a retomada.

Sudeste concentra o maior volume de CNPJs no vermelho

A região Sudeste, maior economia do país, abriga a maior parte das empresas em crise. O estado de São Paulo lidera com 3,2 milhões de negativados, seguido por Minas Gerais e Rio de Janeiro.

Na sequência do ranking nacional, o Paraná aparece com mais de 613 mil CNPJs negativados, enquanto o Rio Grande do Sul registra 539 mil. A concentração acompanha o volume de atividades econômicas locais.

Apesar dos desafios, a demanda por crédito cresceu 11,2%. Segundo Abdelmalack, esse movimento está associado à necessidade de financiar o caixa para manter a operação, e não para expandir os negócios.

A fonte original é o Estadão.

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