O cenário global de energia atravessa um momento de profunda incerteza, com conflitos geopolíticos no Estreito de Ormuz ameaçando a estabilidade do mercado mundial de combustíveis e derivados.
Diante da alta volatilidade, especialistas alertam que o Brasil precisa avançar em suas análises e se preparar para cenários extremos para garantir que o país não sofra com o desabastecimento futuro.
O debate ganhou força durante o Energy Summit, no Rio de Janeiro, onde foram discutidas estratégias cruciais para fortalecer a matriz nacional, conforme divulgado pelo Estadão.
Crise do petróleo e segurança energética exigem novas estratégias de risco no Brasil
Maurício Tolmasquim, consultor do Banco Mundial, destacou que o setor de combustíveis deve considerar riscos extremos, assim como já ocorre no setor elétrico, para evitar possíveis colapsos financeiros.
“Claro que isso tem custo, mas é preciso trazer essa visão de risco, para em algum momento pensar que talvez valha a pena pagar um seguro”, afirmou o executivo durante o painel do evento internacional.
Relatórios indicam que a interrupção no Estreito de Ormuz, por onde passa um quinto do óleo mundial, gera choques intensos nos preços, afetando gravemente países emergentes que dependem de importações.
Fontes renováveis como garantia de abastecimento
O uso de biomassa, etanol e biometano surge como uma alternativa estratégica para descarbonizar o transporte, garantindo que o Brasil utilize fontes domésticas para reforçar sua própria soberania.
Tolmasquim alerta para a necessidade de nacionalizar a indústria de equipamentos, diminuindo a atual dependência da China para a montagem da infraestrutura de energia solar e eólica em solo brasileiro.
Para o especialista, as energias renováveis ganham importância não apenas pela questão climática, mas como uma ferramenta de segurança, visto que são recursos produzidos dentro do próprio território nacional.
O futuro da produção nacional e novas fronteiras
Para o professor Marcelo Simas, é impensável reduzir a produção fóssil agora. Ele defende a exploração da Margem Equatorial para compensar o declínio natural das reservas atuais do pré-sal nos próximos anos.
A projeção é que, até 2030, o Brasil se torne um dos cinco maiores produtores de petróleo do mundo, ficando atrás apenas de gigantes globais como Estados Unidos, Rússia, Arábia Saudita e o Canadá.
Simas ressalta que a exploração de óleo e gás representa apenas 1% das emissões de gases de efeito estufa, enquanto o desmatamento e o mau uso do solo continuam sendo os principais vilões ambientais.
Redução da dependência de importações
O Brasil ainda enfrenta o desafio de reduzir a dependência externa de itens básicos. Atualmente, o país importa cerca de 30% do diesel consumido internamente, além de grande parte dos fertilizantes agrícolas.
Projetos de inovação buscam criar soluções para essas vulnerabilidades, focando na construção de novas refinarias e no aproveitamento total do potencial energético brasileiro para garantir estabilidade econômica.
A fonte original desta notícia é o Estadão.







