A Aena, empresa espanhola que já administra o Aeroporto de Congonhas, acabou de conquistar mais um grande negócio no Brasil. Em leilão realizado na B3, a companhia apresentou a maior oferta para o Aeroporto Internacional do Galeão, superando propostas da atual concessionária RioGaleão e da Zurich Airport.

Com um lance total de R$ 2,9 bi e um ágio de 210,88%, a Aena garante a operação de dois dos maiores terminais do país. O resultado traz novas perspectivas para a modernização do Galeão, que enfrentava dificuldades financeiras e de demanda nos últimos anos.

Confira o que está por trás dessa vitória, como se desenrolou a disputa e quais são os próximos passos para a concessão, conforme divulgado pelo Estadão.

Como se deu a disputa no viva‑voz

A Aena iniciou a licitação com um lance de R$ 1,5 bi, igual ao da Zurich Airport, mas precisou dobrar a proposta para fechar o negócio. Foram 26 lances ao longo do viva‑voz, culminando em R$ 2,9 bi, valor que superou o da RioGaleão, que havia apresentado o menor lance inicial de R$ 934 mi e depois chegou a R$ 1,88 bi.

Participação de outras operadoras

A Zurich Airport, responsável pelos terminais de Florianópolis, Vitória e Natal, chegou a oferecer R$ 2,8 bi, ficando em segundo lugar. A atual concessionária, formada pela Changi (Singapura) e pela Vinci (França), apresentou o menor lance na primeira etapa, mas aumentou sua oferta ao longo da negociação.

Condições do novo contrato

O edital fixava um lance mínimo de R$ 932 mi. Além do pagamento inicial, o contrato prevê uma contribuição variável equivalente a 20 % do faturamento bruto da concessionária até 2039 e a saída da Infraero da gestão até março de 2026.

Histórico da concessão do Galeão

A primeira concessão do aeroporto foi arrematada em 2013 por um consórcio entre a Changi e a Odebrecht, com oferta de R$ 19 bi e ágio próximo a 300 %. Após a Operação Lava Jato, a Odebrecht vendeu sua participação. Em 2022, a Changi chegou a considerar a devolução da concessão devido à queda de demanda provocada pela pandemia.

Medidas do governo para estimular o Galeão

Para reforçar a demanda, o governo federal limitou voos no Aeroporto Santos Dumont, direcionando mais operações ao Galeão, que em 2025 bateu recorde de 17,8 milhões de passageiros, alta de 125 % em relação a 2023.

Repactuação aprovada pelo TCU

Em junho de 2025, o Tribunal de Contas da União aprovou a repactuação da concessão via venda assistida, permitindo novo leilão. O acordo, homologado pela Secex Consenso, reequilibrou economicamente o contrato e alinhou cláusulas aos padrões atuais do setor.

Perspectivas para o futuro da aviação brasileira

O sucesso da Aena no Galeão indica uma tendência de consolidação de grandes operadores internacionais no Brasil. O próximo caso de repactuação será o Aeroporto Internacional de Brasília, que também enfrenta desafios operacionais.

Fonte original: Estadão | As Últimas Notícias do Brasil e do Mundo

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