Bandeira tarifária verde em novembro traz alívio, mas especialistas alertam para riscos do El Niño
A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) confirmou uma notícia muito aguardada pelos brasileiros para este final de ano. A manutenção das condições de geração de energia garante um fôlego extra no orçamento.
Com a chegada do mês de novembro, o sistema de cobrança terá uma continuidade importante que impacta diretamente o bolso do consumidor residencial e industrial em todo o país, após meses de oscilações nas taxas.
A decisão reflete o cenário recente das chuvas e o nível dos reservatórios das principais hidrelétricas, o que permite uma operação mais barata do sistema, conforme divulgado pelo Estadão.
O impacto da bandeira verde no seu bolso
A manutenção da bandeira verde em novembro significa que não haverá qualquer cobrança adicional por cada 100 kWh consumidos. Isso encerra o período de taxas extras que vigorou até o mês de setembro.
Antes desta estabilização, o Brasil passou por cinco meses de bandeira amarela, que adicionava o valor de R$ 1,885 a cada 100 kWh. A mudança ocorre devido ao aumento das chuvas nas regiões Sul e Sudeste do país.
“A manutenção da bandeira verde indica condições favoráveis de geração de energia e evita a cobrança de um valor adicional na conta de luz”, afirma Alan Henn, CEO da Voltera, destacando a melhora no cenário atual.
No entanto, o especialista pondera: “Isso não significa, necessariamente, uma redução na fatura, já que o valor final também depende das tarifas de cada distribuidora e do consumo individual de cada cliente”.
O fator El Niño e os riscos climáticos
Apesar do cenário positivo para novembro, a atuação do El Niño mantém o setor elétrico em alerta. O fenômeno climático tem potencial para alterar o regime de chuvas e elevar as temperaturas nas próximas semanas.
Especialistas indicam que existe uma probabilidade de 95% de um impacto forte do fenômeno até dezembro. Isso pode reduzir a disponibilidade de água nas hidrelétricas do Norte e aumentar a demanda por ar-condicionado.
Para garantir a segurança do sistema, o Ministério de Minas e Energia antecipou contratos de reserva de capacidade. O objetivo é evitar falhas no fornecimento caso o consumo dispare devido ao calor intenso do verão.
Fred Menezes, diretor da Armor Energia, acredita que o risco vem diminuindo, mas ressalta que o período úmido no início de 2027 será essencial para garantir que os preços continuem baixos ao longo do próximo ano.
Entenda como funciona o sistema de cobrança
O sistema de bandeira tarifária foi criado em 2015 para dar transparência aos custos da energia. Ele indica mensalmente se a produção está barata ou se será necessário acionar térmicas mais custosas para o sistema.
Além do volume de chuvas, outro fator que pesa na definição é o Preço de Liquidação de Diferenças (PLD). Este valor é calculado com base na previsão da energia que será produzida em determinado período específico.
Antes deste modelo, os custos extras eram repassados apenas uma vez por ano, com incidência de juros. Agora, o ajuste é mensal, permitindo que o consumidor adapte seus hábitos de consumo de forma imediata e consciente.
A Federação das Indústrias de Minas Gerais reforça que, embora o resultado seja favorável, o momento exige cautela. O acompanhamento dos reservatórios segue sendo vital para evitar novas bandeiras vermelhas no futuro.
O artigo original foi publicado pelo Estadão e pode ser acessado na íntegra através deste link: Estadão | As Últimas Notícias do Brasil e do Mundo







