Uma conta invisível de R$ 1,7 trilhão por ano pesa sobre os ombros de todos os brasileiros. Esse valor não está em um boleto único, mas aparece camuflado no preço dos alimentos, dos eletrônicos e nos investimentos que deixam de ser feitos.
O chamado Custo Brasil é uma mistura de impostos elevados, burocracia excessiva e infraestrutura precária. Esse conjunto de dificuldades impede que as empresas nacionais cresçam e consigam competir de igual para igual com estrangeiras.
A Confederação Nacional da Indústria (CNI) defende que o enfrentamento desses problemas deve ser prioridade máxima. Para 70% dos empresários, os tributos são o maior vilão, conforme divulgado pelo Estadão.
O impacto direto no bolso do consumidor
De acordo com o Observatório do Custo Brasil, esses entraves equivalem a cerca de 20% de tudo o que o país produz, o Produto Interno Bruto (PIB). É uma ineficiência que acaba sendo paga por quem consome nas lojas e mercados.
A pesquisa do Instituto Nexus mostra que 77% dos industriais acreditam que esse custo eleva os preços finais. Além disso, 64% dos entrevistados sentiram que a situação piorou nos últimos três anos, aumentando o risco de falências.
Léo de Castro, vice-presidente da CNI, afirma que “precisamos reduzir o Custo Brasil para promover a competitividade da indústria, fazendo com que os brasileiros possam acessar produtos mais baratos e melhorar a qualidade de vida”.
Impostos e a complexidade tributária
O problema vai além do valor pago, atingindo a complexidade das regras. No Brasil, a alíquota combinada de impostos sobre o lucro chega a 34%, enquanto a média dos países da OCDE é de apenas 23,3%, uma diferença que afasta investidores.
A CNI propõe a modernização das regras e a redução dessa carga para níveis internacionais. Outra sugestão é o carryback, um mecanismo que permite compensar prejuízos atuais com impostos que foram pagos pela empresa em anos anteriores.
A entidade também foca na inovação, pedindo a ampliação da Lei do Bem. A ideia é facilitar deduções para pesquisas e tecnologia, permitindo que a indústria brasileira se modernize e crie produtos com maior valor agregado no mercado.
Juros altos e infraestrutura precária
O crédito caro é outra barreira intransponível para muitos negócios. Cerca de 77% dos empresários garantem que aumentariam seus investimentos se as taxas de juros para pessoas jurídicas fossem cortadas pela metade em comparação aos níveis atuais.
Na infraestrutura, o cenário também é crítico, pois o Brasil investe apenas 1,6% do PIB no setor, quando o ideal seria 4%. Rodovias ruins e ferrovias insuficientes encarecem o transporte, refletindo diretamente no custo de cada mercadoria transportada.
Além disso, 62% dos industriais sofrem com a falta de trabalhadores qualificados. Sem mão de obra preparada, as fábricas não conseguem operar novas tecnologias, o que estagna a produtividade e impede o avanço econômico do país.
O que a indústria espera do governo
A CNI busca transformar esse diagnóstico em uma agenda concreta para o poder público. A lista inclui desde o fortalecimento da segurança jurídica até a modernização das relações trabalhistas e a diversificação dos meios de transporte.
Combater o mercado ilícito e a pirataria também faz parte dos planos, já que a concorrência desleal prejudica quem paga impostos corretamente. A entidade acredita que essas mudanças precisam ser encaradas como uma política de Estado duradoura.
O grande desafio é equilibrar essas reduções de custos com a arrecadação do governo. Para a indústria, destravar o Custo Brasil é o único caminho para que os recursos sejam usados em inovação e na geração de novos empregos para a população.
A fonte original desta notícia é o Estadão, e você pode ler a matéria completa no link: Estadão | As Últimas Notícias do Brasil e do Mundo.







