O cenário do varejo brasileiro sofreu um novo abalo com os pedidos de recuperação judicial realizados pelas Casas Bahia e pelas Lojas Marabraz. As solicitações, encaminhadas recentemente, reforçam uma tendência preocupante no setor.

Especialistas apontam que a combinação de juros altos, queda no consumo em lojas físicas e endividamento bilionário tem pressionado grandes grupos. A dívida da Casas Bahia, por exemplo, alcança a marca de R$ 17,3 bilhões, conforme divulgado pelo Estadão.

Diante desse quadro, surge o debate sobre a governança preventiva. Analistas acreditam que esse modelo de gestão pode ser a chave para identificar riscos financeiros antes que a situação se torne irreversível para as companhias.

Estratégias de governança preventiva para o setor varejista

A coordenadora da FGVethics, Lígia Maura Costa, explica que a governança orientada à prevenção foca na supervisão constante do conselho sobre o endividamento. Segundo ela, é preciso monitorar a liquidez e a sustentabilidade do negócio.

“No varejo, o controle deve ir além de acompanhar a expansão e fazer exercícios de previsão de como a empresa reagiria à queda do consumo, à alta dos juros e à redução das margens”, afirma Lígia. Para ela, isso permite criar alternativas antes da crise.

Contudo, a especialista pondera que a estratégia sozinha não faz milagres. É necessário um ambiente econômico mais favorável, com crédito acessível e estímulo ao consumo, para que as melhores práticas de gestão surtam o efeito desejado nas empresas.

O papel dos indicadores financeiros na gestão de crise

O economista Eduardo Menicucci, da Fundação Dom Cabral, classifica o volume de pedidos de recuperação judicial no varejo como “assustador e preocupante”. Ele defende o monitoramento rigoroso do Ebitda e do índice de cobertura de juros.

“Esses indicadores devem ser monitorados constantemente. Se eles sinalizarem um crescimento, deve-se tomar antecipadamente alguma medida para reenquadrá-los nos parâmetros adequados”, destaca o professor. O controle de estoque também é vital nesse processo.

Governança e transparência como diferenciais competitivos

Para Luciano Malara, da Trevisan Escola de Negócios, a onda de crises reflete falhas de governança, e não apenas a economia. Empresas com gestão madura conseguem negociar dívidas de forma extrajudicial, evitando o desgaste de um processo jurídico público.

Ele ressalta a importância de um conselho de administração independente, que confronte a diretoria executiva quando os números não batem. A transparência reduz a desconfiança de credores e permite que renegociações aconteçam de forma preventiva e eficaz.

A fonte original desta notícia é o Estadão, e você pode conferir todos os detalhes na matéria original acessando o link: Governança preventiva não elimina o risco, mas pode frear novas RJs de varejistas, dizem analistas.

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