A falta de transparência voltou a ser o centro das atenções no Congresso Nacional. Um relatório recente da organização Transparência Brasil revelou que a Câmara dos Deputados ocultou a autoria de repasses bilionários.

O documento aponta que cerca de R$ 1,3 bilhão foi movimentado sem a identificação clara dos parlamentares responsáveis. Essa prática ocorre mesmo após o Supremo Tribunal Federal determinar o fim de mecanismos obscuros nos gastos.

O estudo analisou milhares de indicações e concluiu que o sistema atual repete a lógica do antigo orçamento secreto. A revelação traz novos desafios para a fiscalização dos recursos, conforme divulgado pelo Notícias ao Minuto Brasil.

A volta do orçamento secreto através do uso estratégico das emendas de comissão

Ocultação de dados e a afronta direta ao STF

De acordo com o relatório, sete bancadas da Câmara destinaram 16% do total de recursos em nome de lideranças partidárias. Isso impede que a sociedade identifique quem realmente indicou o dinheiro público para as cidades e estados.

A prática é vista como uma forma de contornar a decisão do STF de 2022, que julgou inconstitucional o modelo anterior. Desde então, o volume pago em emendas de comissão cresceu impressionantes 68 vezes, atingindo níveis recordes.

A diferença de transparência entre a Câmara e o Senado

Dos R$ 11,7 bilhões analisados, o Senado demonstrou uma postura mais aberta. Enquanto a Câmara dos Deputados oculta os nomes dos autores, a Casa Alta informa corretamente qual parlamentar é o responsável por cada indicação de verba.

Essa diferença evidencia que a ocultação é uma escolha política de certas lideranças. Partidos como o PP, PL e União Brasil estão entre os que mais utilizaram esse modelo sem identificação, apelidado de emendas de liderança pela entidade.

O domínio das lideranças partidárias sobre os recursos

O levantamento identificou que os recursos foram concentrados em beneficiários específicos, sugerindo uma divisão interna entre caciques partidários. “Os achados deste estudo demonstram que ainda persiste elevado grau de opacidade”, afirma o relatório.

A Transparência Brasil ressalta que, embora essas emendas não sejam obrigatórias por lei, acordos políticos garantem o seu pagamento. Isso mantém o controle financeiro nas mãos de poucos parlamentares, dificultando o controle social.

Saúde e Turismo concentram os maiores volumes de verba

A Comissão de Saúde foi o principal alvo, concentrando R$ 818 milhões em centenas de indicações pulverizadas. Setores como Turismo e Esporte também receberam fatias generosas, muitas vezes sem critérios técnicos claros para a distribuição.

A ONG defende agora a suspensão imediata desses pagamentos e a criação de identificadores únicos para cada repasse. Sem essas medidas, o risco de corrupção e mau uso do dinheiro público continua elevado nas sombras do poder legislativo.

A fonte original desta notícia é o portal Notícias ao Minuto Brasil, que pode ser acessada na íntegra através deste link: https://www.noticiasaominuto.com.br/politica/2397193/camara-oculta-autoria-de-r-1-3-bi-em-emendas-e-afronta-stf-diz-relatorio?utm_source=rss-politica&utm_medium=rss&utm_campaign=rssfeed

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