O mercado de bem-estar corporativo vive um momento de intensa transformação com a disputa acirrada entre as duas maiores plataformas do setor. O que antes era um domínio absoluto, agora se tornou um campo de batalha estratégico.

A TotalPass, empresa que nasceu dentro da estrutura da Smart Fit, está ganhando terreno rapidamente e desafiando o modelo de negócios do Wellhub, o antigo Gympass. Essa rivalidade traz novos contornos para o futuro do setor fitness.

Com o crescimento acelerado de usuários e mudanças regulatórias importantes, a disputa promete redefinir como as empresas oferecem saúde aos funcionários, conforme divulgado pelo Estadão.

A estratégia da TotalPass para conquistar o mercado de benefícios corporativos fitness

A TotalPass tem se tornado uma pedra no tênis do Wellhub. Criada em 2019, a empresa aproveita a capilaridade da Smart Fit para expandir sua base. No segundo trimestre, a plataforma registrou uma alta anual de 75% em usuários ativos.

Enquanto isso, o Wellhub mantém a liderança com 7,5 milhões de usuários, mas cresce em um ritmo mais moderado de 18%. O objetivo da TotalPass é ambicioso, buscando dominar mais da metade do mercado de benefícios corporativos fitness no Brasil.

Para Felipe Calbucci, CEO da TotalPass, a missão é clara. “O objetivo máximo da empresa é ter 50% mais 1 do mercado aqui”, afirmou o executivo em entrevista. Essa meta coloca pressão direta sobre a concorrência e os planos de expansão global.

O fim da exclusividade e a nova dinâmica do setor

A divisão do bolo ganhou força após o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) limitar os contratos de exclusividade. A decisão ocorreu após questionamentos da TotalPass sobre acordos firmados pelo Wellhub com as academias.

Com a queda dessas barreiras, a participação de mercado da TotalPass saltou de 25% para 34% em apenas um ano. Sophia Prado, da Fortezza Partners, destaca que a decisão do Cade foi um momento decisivo para mudar a distribuição do setor.

O mercado fitness nacional movimentou cerca de R$ 12 bilhões em 2024. Agora, as empresas disputam cada fatia dessa economia bilionária, oferecendo soluções que vão além da musculação tradicional, incluindo saúde mental e nutrição.

Verticalização contra diversificação global

A grande diferença entre as rivais está no DNA. A TotalPass é verticalizada, monetizando a capacidade ociosa das unidades da Smart Fit. Isso permite capturar margens nas duas pontas do negócio, reduzindo custos operacionais de forma eficiente.

Já o Wellhub se posiciona como uma plataforma global de wellness. Presente em 18 países, a companhia não possui academias próprias. “Nossos parceiros já fazem isso muito bem”, explica Ricardo Guerra, CEO do Wellhub no Brasil.

Guerra defende que não ter unidades físicas evita conflitos de interesse. Para ele, o mercado ainda comporta muitos novos clientes corporativos, garantindo que há espaço suficiente para o crescimento de ambos os players no longo prazo.

O impacto da concorrência no IPO do Wellhub

A principal dúvida de investidores é se o avanço da TotalPass pode travar a abertura de capital do Wellhub nos Estados Unidos. Analistas acreditam que o IPO não está inviabilizado, mas a tese de diversificação será testada.

O Wellhub precisa provar que seu modelo global resiste ao crescimento de rivais verticais em mercados-chave como o Brasil. A disputa mostra que a liderança isolada ficou no passado, exigindo constante inovação das plataformas de benefícios fitness.

A fonte original é o Estadão | As Últimas Notícias do Brasil e do Mundo.

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