A urgência de políticas públicas para a dignidade menstrual
A busca por soluções eficazes para a saúde feminina ganha um novo fôlego no Brasil com a proposta de substituir itens descartáveis por alternativas duráveis. A iniciativa foca em transformar a vida de milhares de mulheres em situação de vulnerabilidade.
A CEO da Pantys, Emily Ewell, defende que a adoção de calcinhas menstruais reutilizáveis é o caminho para uma autonomia real. Essa mudança foca não apenas na economia direta, mas também no impacto ecológico gerado por produtos plásticos.
A executiva argumenta que o modelo atual de distribuição de absorventes é limitado e gera um custo ambiental invisível para a sociedade, conforme divulgado pelo Estadão. A proposta busca integrar inovação e sustentabilidade na saúde pública.
O impacto ambiental dos absorventes descartáveis
Atualmente, o Brasil é o segundo maior mercado de absorventes externos descartáveis do mundo, perdendo apenas para a China. Cerca de 15 bilhões de unidades são jogadas fora anualmente no país, criando um desafio logístico e ambiental.
De acordo com Emily Ewell, o lixo gerado por esses produtos demora mais de 500 anos para se decompor totalmente. “O primeiro absorvente que foi inventado ainda está na Terra”, alerta a gestora sobre a falta de sustentabilidade do modelo atual.
A executiva reforça que o custo ambiental de manter esses resíduos em aterros sanitários é pago indiretamente por todos os consumidores. A Pantys já evitou o descarte de 2,3 bilhões de unidades através de seus produtos reutilizáveis.
Diferença entre oito horas e cinco anos de proteção
A principal defesa para a mudança nas políticas públicas reside na durabilidade. Enquanto um absorvente comum oferece proteção por poucas horas, uma calcinha tecnológica pode ser utilizada por meia década se bem conservada.
“Um absorvente descartável tira uma menina da pobreza menstrual por oito horas. Já uma calcinha absorvente reutilizável pode tirá-la dessa situação por cinco anos”, afirma Ewell, destacando o impacto na educação e no trabalho de jovens brasileiras.
O foco principal da teoria de mudança da empresa são meninas entre 13 e 18 anos. Ao garantir um produto que dure anos, evita-se que elas faltem à escola ou deixem de realizar atividades diárias por falta de recursos para higiene.
Desafios na mentalidade do setor público
Mesmo com benefícios claros, o poder público ainda resiste à adoção de itens reutilizáveis. O principal obstáculo é a mentalidade de curto prazo, que foca no preço imediato da unidade em vez do custo-benefício ao longo do tempo.
A CEO explica que o setor público costuma escolher a opção mais barata mensalmente, sem considerar que o kit de calcinhas se paga rapidamente. “Se você faz a conta ao longo do ano, a Pantys fica mais barata e dura cinco anos”, ressalta ela.
Outro ponto crítico citado é a predominância masculina em cargos de decisão. Muitos gestores não compreendem as nuances do ciclo menstrual, preferindo manter o padrão de mercado dos descartáveis por se sentirem mais seguros com o que já conhecem.
Democratização e inovação no mercado feminino
Para ampliar o alcance, a marca tem buscado parcerias com outras empresas do setor de beleza e higiene. O objetivo é reduzir os custos de produção e oferecer preços até 30% menores para o consumidor final através de linhas de alto volume.
A empresa também investe em logística reversa em suas lojas físicas. Clientes podem devolver peças antigas para um descarte consciente, onde o material é incinerado para gerar eletricidade, fechando o ciclo de vida do produto de forma sustentável.
Com projeção de crescimento de 18% para 2026, a Pantys aposta na cocriação com sua comunidade para lançar novos produtos. A meta é continuar ocupando espaços onde ainda não existem marcas atuando tanto na saúde quanto no impacto ambiental positivo.
A fonte original desta reportagem é o Estadão.







