A bioeconomia ganha força no Brasil com a divulgação do Plano Nacional de Desenvolvimento da Bioeconomia (PNDBio), a primeira política pública de alcance nacional dedicada a essa agenda. O plano promete transformar ativos naturais em oportunidades de crescimento econômico, inclusão social e preservação ambiental.

Com apoio de mais de 1.000 contribuições da sociedade, o PNDBio reúne governo, setor privado e comunidades tradicionais para criar um modelo de desenvolvimento baseado na biodiversidade, na ciência e nos conhecimentos tradicionais. A iniciativa reflete os Princípios de Alto Nível da Bioeconomia aprovados pelo G20, liderados pelo Brasil.

A informação vem do Estadão, que detalha o processo participativo e as metas do plano, incluindo financiamento híbrido, mitigação de riscos e estímulo à inovação para alavancar a bioeconomia nacional.

O que é a bioeconomia e por que ela importa

Na prática, a bioeconomia abrange bioprodutos, biomateriais, alimentos, remédios, cosméticos, bioenergia, química renovável e cadeias da sociobiodiversidade. No Brasil, a combinação de biodiversidade, ciência e saberes tradicionais cria um cenário propício para soluções produtivas baseadas na natureza.

Comparação internacional

Na OCDE e na União Europeia, a bioeconomia serve como ferramenta de mitigação de gases de efeito estufa e transição energética. Nos EUA, a política de bioeconomia, iniciada em 2012, foca em medicamentos, cultivares de alta produtividade, biocombustíveis e química verde.

Diretrizes brasileiras

O Brasil optou por uma definição ampla: a bioeconomia deve basear‑se no uso sustentável, na conservação e na restauração da biodiversidade, articulando diferentes setores, territórios e sistemas de conhecimento.

Estrutura e governança do PNDBio

O plano resultou de um processo participativo liderado pelo Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável (CEBDS), com apoio de TNC Brasil, Instituto Arapyaú e Coalizão Brasil Clima, Florestas e Agricultura, selecionado pelo UK Pact. A Secretaria Nacional de Economia, vinculada ao Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima, coordena a execução.

Uma Comissão Nacional de Bioeconomia, com representantes de 18 ministérios e 18 assentos da sociedade civil, garante a governança multi‑setorial do PNDBio.

Financiamento e inovação

O PNDBio prioriza financiamento híbrido, mitigação de riscos e estímulo à inovação, pilares apontados pelo setor privado para escalar a bioeconomia de forma rápida e segura.

Participação territorial

Empresas podem contribuir estruturando cadeias produtivas sustentáveis, investindo em pesquisa e firmando parcerias com comunidades que detêm conhecimento e recursos essenciais para a nova economia emergente.

Impactos econômicos e projeções futuras

Globalmente, a bioeconomia já movimenta entre US$ 4 trilhões e US$ 5 trilhões, com potencial de chegar a US$ 30 trilhões até 2050. No Brasil, 13 produtos da sociobiodiversidade representam cerca de R$ 12 bilhões do PIB, ainda uma parcela pequena frente ao potencial.

O PNDBio ambiciona que a bioeconomia se torne tão representativa quanto agronegócio, automotivo, petróleo e gás ou aviação, ao combinar decisões estratégicas, políticas públicas e incentivos climáticos.

Com a política pública em vigor, o Brasil dá um passo decisivo rumo a um consenso global de desenvolvimento que prioriza conservação, restauração e uso sustentável da biodiversidade, com inclusão social.

Fonte original: Estadão | As Últimas Notícias do Brasil e do Mundo

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