O Brasil enfrenta um cronômetro apertado para se adaptar às novas tecnologias globais e evitar um abismo econômico. Segundo especialistas, o país tem pouco tempo para não ficar para trás na corrida tecnológica mundial.
O ex-ministro da Fazenda, Joaquim Levy, trouxe alertas preocupantes durante um evento de inovação no Rio de Janeiro. Ele destacou que o avanço tecnológico acelerado pode aumentar drasticamente a distância entre as nações.
Além da tecnologia, o cenário econômico interno preocupa devido ao desequilíbrio das contas públicas e à inflação global persistente, conforme divulgado pelo Estadão.
O avanço da inteligência artificial e o desafio para o Brasil
A distância tecnológica entre países ricos e emergentes
Levy explicou que o mundo está muito próximo de um marco decisivo na tecnologia. Ele afirmou que “Estamos a apenas dois anos de distância de um salto muito importante no avanço da IA”, durante a Rio Innovation Week.
Para o ex-ministro, esse horizonte curto representa um risco elevado para países emergentes. O especialista destacou que a diferença entre quem possui inteligência artificial e quem não possui tende a crescer rapidamente.
“Ou seja, um horizonte relativamente curto, isso significa, para os países emergentes, um aumento da distância entre quem tem IA e quem não tem”, alertou Levy sobre a necessidade de recursos para navegar nessa onda.
Incertezas econômicas e o cenário fiscal brasileiro
O cenário internacional atual é descrito por Levy com a palavra “incerteza”. Ele mencionou a inflação pós-pandemia e os desafios fiscais dos Estados Unidos como fatores que geram instabilidade no mercado global.
Outros especialistas, como o economista Fernando Rocha, reforçaram a necessidade de ajustes nas contas brasileiras. Rocha classificou a trajetória da dívida pública como explosiva, o que pode gerar estresse financeiro em breve.
Apesar de o mercado demonstrar certa tranquilidade momentânea, Rocha fez uma advertência séria: “As pessoas não acham que a gente vai quebrar, mas eu já vi muita mudança rápida no mercado”, ponderou o especialista.
A necessidade de um ajuste fiscal rápido e forte
A economista Solange Srour afirmou que o ajuste fiscal necessário para estabilizar a dívida precisa ser muito rápido e muito forte. Segundo ela, a desaceleração da economia brasileira já é um movimento esperado pelo mercado.
Para Srour, o atual patamar dos juros reflete a percepção de risco em relação às contas públicas. Isso dificulta que o país mantenha uma trajetória de crescimento sustentado e seguro nos próximos anos.
O elevado endividamento das famílias, somado aos juros altos por tempo prolongado, pode levar o país a uma crise severa. “Não tem como a economia crescer com esse desequilíbrio fiscal enorme”, concluiu a especialista.
A insustentabilidade da política econômica atual
Na visão do pesquisador Samuel Pessoa, da FGV, a política econômica conduzida pelo governo é insustentável a longo prazo. Embora os indicadores atuais pareçam bons, como o desemprego baixo, o quadro pode mudar rapidamente.
Pessoa destacou que, apesar de o crescimento recente ser positivo, há sinais de fragilidade. “A foto do País é muito boa porque o desemprego está nas mínimas históricas, o crescimento foi bom, mas até no desemprego há insustentabilidade”.
A fonte original desta notícia é o Estadão, e você pode conferir todos os detalhes na matéria original através deste link: Estadão | As Últimas Notícias do Brasil e do Mundo.







