Após passagem por gigantes como Embraer, Google, Meta e Coca‑Cola, Mari Galindo comanda a Nice House, agência que liga jovens influenciadores a marcas. Em entrevista ao Estadão, ela apontou que o principal atributo que uma organização precisa oferecer à geração Z é a estabilidade, já que a carreira digital ainda não garante segurança a longo prazo.

“Ainda não temos o primeiro influenciador digital aposentado para entender o ciclo completo da carreira (na internet). Então, isso gera desejo, mas também instabilidade”, declarou Galindo, que também destaca a crescente busca dos jovens por profissões mais analógicas.

As informações foram extraídas da entrevista completa publicada no Estadão, que abordou ainda o São Paulo Innovation Week e as mudanças aceleradas pela inteligência artificial.

Geração Z: hábitos digitais e expectativas de estabilidade

Por que os empregadores ainda não compreendem a geração Z?

Segundo Galindo, as empresas tratam a geração Z como causa dos problemas, e não como consequência de um mundo já hiperdigitalizado. “A geração Z cresce em um ambiente regido pela internet, onde tudo está conectado ao smartphone”, aponta a especialista.

Ela ressalta que, ao contrário dos millennials, que vivenciaram a transição do analógico ao digital, a geração Z nasce já inserida nessa realidade. Isso deve‑se ao fato de que o tamanho do mundo dentro do quarto supera a dimensão física da rua onde vivem.

Carreira na internet: instabilidade e necessidade de diversificação

O mercado digital ainda é volátil. Galindo afirma que ainda não existe “o primeiro influenciador aposentado”, o que gera ansiedade nos jovens que buscam essa profissão. Por isso, muitos começam a considerar carreiras mais manuais, como cabeleireiro ou manicure, que são menos vulneráveis à substituição por IA.

Ela ainda cita o fenômeno da “permuta” – troca de conteúdo por produtos ou serviços – como primeira fase do plano de carreira de um criador, evoluindo para publicidades pagas, cursos e, por fim, fundação de empresas próprias, como exemplificado por Bianca Andrade e Virginia Fonseca.

O que as empresas podem fazer para reter talentos da geração Z?

Estabilidade e clareza são essenciais. Galindo recomenda que as organizações ofereçam planos de carreira estruturados e transparência sobre crescimento e remuneração. “A geração Z quer saber as regras do jogo, como se fosse um tutorial”, explica.

Além disso, a comunicação deve ser intencional e direta, refletindo a forma como os jovens consomem informações: rápido, objetivo e com dados claros. Estratégias como CLT premium, que unem benefícios de contrato formal a flexibilidade, são bem‑recebidas.

Perspectivas para os próximos cinco anos

Com a aceleração da IA, Galindo projeta que a creator economy buscará maior estabilidade econômica, reduzindo a superoferta de influenciadores. Simultaneamente, negócios tradicionais adotarão a internet como principal canal de vendas, transformando criadores em peças-chave de estratégias comerciais.

Para quem deseja viver da criação de conteúdo, a especialista recomenda tratar a atividade como um negócio, compreender a monetização real e desenvolver habilidades nos bastidores – negociação, portfólio e gestão financeira.

Fonte original: Estadão | As Últimas Notícias do Brasil e do Mundo

You May Also Like
Rui Costa reconhece possibilidade de volta de estatal no setor de distribuição de combustíveis

Rui Costa reconhece possibilidade de volta de estatal no setor de distribuição de combustíveis

BRASÍLIA – O ministro da Casa Civil, Rui Costa, reconheceu nesta quinta-feira,…
Governo estuda saque de até 20% do FGTS para quem ganha até 5 salários mínimos pagar dívidas

Flávio Bolsonaro sob pressão após ameaça de tarifas dos EUA ao Brasil e críticas ao Pix: Entenda o impacto da relação política com Donald Trump

Governo brasileiro descarta negociar o Pix com americanos e aponta interferência política em meio a ameaça de tarifas sobre produtos nacionais
Entidades do setor elétrico enviam a Alcolumbre carta contra ‘jabutis’ em projeto no Senado

Conta de luz mais cara? Entenda o projeto no Senado que pode custar R$ 1,5 trilhão ao brasileiro!

Associações do setor elétrico alertam Davi Alcolumbre sobre riscos de ‘jabutis’ em nova proposta de lei.
Medidas parafiscais somaram R$ 220 bilhões em 2025

IPCA de abril causa alerta no mercado financeiro e especialistas projetam desafios para o controle da inflação brasileira nos próximos meses

Especialistas analisam os impactos da inflação de serviços e como fatores externos, como a guerra e o clima, dificultam o trabalho do Banco Central