Os números de endividamento do consumidor brasileiro voltaram a chamar atenção. Segundo a Confederação Nacional do Comércio (CNC), 80,4% das famílias estavam com dívidas em março, um recorde histórico.

Esse cenário reflete o peso dos juros da Selic, da inflação e da alta do dólar, que pressionam o orçamento de todas as classes sociais, sobretudo as de renda mais baixa.

Os dados completos da pesquisa de endividamento e inadimplência (Peic) foram divulgados pelo Estadão, que detalha a evolução dos indicadores nos últimos meses.

Endividamento em alta e inadimplência estável

De fevereiro para março, a proporção de famílias endividadas subiu de 80,2% para 80,4%, acima dos 77,1% registrados em março de 2025. Apesar do aumento, a taxa de inadimplência manteve‑se em 29,6%.

O relatório da CNC destaca que a combinação de juros altos, preços elevados de diesel e outros combustíveis gera “incerteza inflacionária”, reduzindo o poder de compra e forçando o uso de crédito para despesas básicas.

Distribuição do endividamento por faixa de renda

O crescimento foi mais acentuado entre famílias com renda acima de 10 salários mínimos, que passaram de 69,3% para 69,9% de endividadas. Nas faixas mais baixas, a proporção permaneceu praticamente estável.

Já a inadimplência caiu levemente nas camadas de renda mais baixa, enquanto aumentou marginalmente nas de renda média alta.

Visão dos especialistas

José Roberto Tadros, presidente do Sistema CNC‑Sesc‑Senac, alertou que “a elevada taxa Selic é, há meses, um desafio para quem empreende e para quem consome” e que o alívio econômico ainda levará meses para ser percebido.

O economista‑chefe da CNC, Fabio Bentes, acrescentou que uma nova rodada de reajuste das expectativas de inflação pode pressionar ainda mais o orçamento das famílias de renda mais baixa.

Impactos no cotidiano

Com a parcela média da renda comprometida com dívidas caindo de 29,7% para 29,6%, a situação ainda é delicada. A taxa de famílias que se consideram “muito endividadas” diminuiu apenas 0,1 ponto percentual.

Esses números revelam que, apesar de pequenas melhorias em alguns indicadores, o peso dos juros, da inflação e do dólar continua a afetar a vida financeira de milhões de brasileiros.

Fonte original: Estadão | As Últimas Notícias do Brasil e do Mundo

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