O setor do agronegócio brasileiro acaba de receber uma notícia importante para o planejamento das próximas temporadas de campo, com foco na estabilidade financeira.

O Bradesco confirmou que pretende movimentar bilhões em financiamentos, mantendo o fôlego para produtores que enfrentam custos elevados de insumos e desafios de mercado.

A estratégia envolve desde o crédito rural tradicional até o uso de plataformas digitais para agilizar o acesso aos recursos, conforme divulgado pelo Estadão.

Investimentos e taxas para o agronegócio

Foco no custeio e taxas de mercado

O Bradesco prevê destinar cerca de R$ 50 bilhões em financiamentos para o agronegócio na safra 2026/27, que começou em 1º de julho. A cifra está em linha com o valor desembolsado no ciclo anterior.

Roberto França, diretor de Agronegócios, diz que a demanda por crédito se mantém firme. “Os preços dos insumos estão mais altos, e não há previsão de redução de área”, afirma o executivo sobre o cenário atual.

Do total, o banco estima que até 70% vão para custeio da produção, dada a cautela do produtor com investimentos. Cerca de 60% da oferta terá juros de mercado, enquanto 40% terão as chamadas taxas controladas.

Expansão digital e seletividade no crédito

Mais contratações devem ser feitas pelo E-agro, plataforma digital do Bradesco. A partir da safra 2026/27, a ferramenta se estenderá a financiamentos de pessoas jurídicas, ampliando o volume de transações.

O banco será mais seletivo na concessão de crédito e reforçará a cobrança de garantias. Um fator determinante na análise é o grau de alavancagem, que é a relação entre dívida e faturamento dos produtores.

Atualmente, o Bradesco estima que para 90% da sua carteira de empréstimos ao setor o pagamento vem sendo feito normalmente. A inadimplência segue comportada, segundo dados apresentados pela própria instituição.

Alternativas de mercado e expansão internacional

O encarecimento do crédito transformou o consórcio no negócio do Sicredi que mais se expande. A instituição projeta que sua carteira no setor ultrapassará R$ 20 bilhões até o fim de 2027, superando o ciclo atual.

Já na indústria, a fabricante AEMCO pretende elevar as exportações para 20% do seu faturamento até 2031. A empresa escolheu a Argentina como prioridade para disputar mercado com fornecedores da China.

A empresa aposta em logística ágil e suporte técnico próximo aos fabricantes locais. As negociações começaram no mês passado, durante a AgroActiva, considerada a maior feira agropecuária do país vizinho.

Defesa comercial em Washington

Entidades do agronegócio participam nesta segunda-feira de uma audiência em Washington para defender o Brasil. Os Estados Unidos acusam o País de supostas práticas desleais no comércio e questões ambientais.

A análise preliminar da investigação norte-americana apontou para a aplicação de tarifas adicionais sobre produtos brasileiros. O setor busca evitar barreiras no acesso ao mercado de etanol e outras tarifas.

A investigação envolve a seção 301 da Lei de Comércio e trata de temas como o desmatamento ilegal. O governo e os produtores brasileiros tentam reverter o cenário para manter a competitividade das exportações.

A fonte original desta notícia é o Estadão.

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