O varejo brasileiro está diante de um novo e implacável concorrente que não vende roupas ou eletrônicos, mas sim a promessa de ganhos rápidos. As apostas esportivas online, conhecidas como bets, estão desviando bilhões de reais que antes eram destinados ao consumo de bens e serviços essenciais.

Para enfrentar essa fuga de capital, as empresas começam a adotar estratégias agressivas que misturam entretenimento e compras. A ideia é recuperar a atenção do consumidor, especialmente o público jovem, que tem trocado o carrinho de compras pela emoção das plataformas de jogos.

O movimento já preocupa gigantes do setor e autoridades, que veem no fenômeno um risco tanto para a economia quanto para a saúde pública. O cenário exige adaptações rápidas nas formas de vender e comunicar, conforme divulgado pelo Estadão.

Estratégias do varejo para combater o avanço das bets no Brasil

Projeções da Strategy& Brasil, consultoria da PwC, indicam que entre R$ 40 bilhões e R$ 50 bilhões anuais deixam de ser gastos com bens, serviços ou poupança por causa das apostas esportivas online. O impacto atinge até o setor de aviação, que vê o consumo estagnado.

A aposta na gamificação e na experiência de compra

Eduardo Terra, cofundador do Instituto Retail Think Tank (IRTT), afirma que o varejo online está adotando elementos de jogos, como roletas, para atrair clientes. “Se eu não posso vencer, entre aspas, o inimigo, eu vou jogar com as armas dele”, explica o especialista sobre a nova tática.

A estratégia busca atingir a dopamina, o neurotransmissor do prazer, que as bets exploram tão bem. Plataformas asiáticas como TikTok Shop, Shopee e Temu já usam a diversão na jornada de compra, pois os consumidores agora preferem a descoberta e a experiência à busca racional por produtos.

Redirecionamento de marketing e impacto nos setores

Outra reação do varejo é migrar a verba publicitária das mídias tradicionais, como TV e rádio, para as redes sociais. O objetivo é interceptar o consumidor digital em seu ambiente natural. Além disso, empresas estão investindo em educação financeira para funcionários afetados pelas perdas nos jogos.

O setor de alimentos, principalmente itens de luxo e guloseimas, é o mais prejudicado. O público mais atingido pertence às gerações Z e Millennial, concentrado em grandes áreas urbanas do Sudeste. Já o varejo regional, com público acima de 45 anos, sente menos o impacto das apostas.

Pressão por restrições e crise de saúde pública

Jorge Gonçalves Filho, presidente do IDV, defende no Congresso a restrição da publicidade das bets, comparando a situação a uma pandemia. Um estudo da USP revela que transtornos com jogos custam R$ 38 bilhões anuais à saúde pública, valor muito superior à arrecadação tributária do setor.

Para o IDV, a facilidade do acesso pelo celular e o uso de algoritmos agressivos tornam a publicidade das apostas onipresente e perigosa. O setor varejista argumenta que a sociedade está pagando uma conta alta demais para sustentar o crescimento descontrolado dessas plataformas digitais.

Governo aperta o cerco contra apostas ilegais

O governo federal anunciou medidas recentes para bloquear recursos de plataformas ilegais e responsabilizar influenciadores. Robison Barreirinhas, secretário da Receita Federal, alertou que quem fizer propaganda de bets irregulares sofrerá duras sanções tributárias e administrativas.

“Se um influenciador entrar em uma rede social e fizer propaganda de uma bet ilegal, além de todas as sanções administrativas da SPA (Secretaria de Prêmios e Apostas), a Receita Federal vai cobrar Imposto de Renda e também tributos como PIS e Cofins”, afirmou o secretário.

A fonte original desta notícia é o Estadão, e você pode conferir a matéria completa em: Estadão | As Últimas Notícias do Brasil e do Mundo.

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