A gigante do setor ambiental Ambipar enfrenta um novo capítulo tenso em seu processo de recuperação judicial, agora em solo internacional, envolvendo grandes nomes do setor bancário brasileiro e investidores estrangeiros.

Instituições financeiras de peso buscam intervir no processo que tramita na Justiça dos Estados Unidos para impedir que a empresa execute um plano que, segundo elas, favorece excessivamente os detentores de títulos externos.

A movimentação jurídica revela uma queda de braço bilionária entre o grupo e seus principais credores nacionais que se sentem isolados na negociação, conforme divulgado pelo Estadão.

Bancos brasileiros tentam barrar plano da Ambipar nos EUA

Um grupo formado por Bradesco, Banco do Brasil e Sumitomo tenta ingressar no processo de Chapter 11, a recuperação judicial americana da Ambipar. O objetivo central é barrar o plano de reestruturação desenhado com os bondholders.

Esse plano prevê a entrega de subsidiárias norte-americanas importantes, como a Ambipar Response, aos detentores de títulos de dívida emitidos no exterior. Como esses credores possuem mais de 50% da dívida total, eles formam a maioria necessária para aprovação.

Instituições buscam garantir direitos na reestruturação

A Caixa Econômica Federal também se juntou ao movimento, mas na condição de detentora de debentures. O banco foi um dos principais compradores desses títulos em emissões feitas pela companhia entre os anos de 2022 e 2024.

Os bancos brasileiros argumentam que a estratégia da Ambipar de priorizar os credores externos acaba por isolar os demais envolvidos. Eles buscam garantir o direito de votar o plano e participar ativamente da distribuição dos ativos da empresa.

A polêmica falta de notificação nos Estados Unidos

Na ação levada à Corte de Houston, no Texas, as instituições alegam que a Ambipar não as notificou formalmente sobre o processo ou sobre o prazo limite para ingresso, que expirou em 18 de fevereiro, o que seria uma exigência legal.

Os bancos afirmam que, devido à consolidação substancial das dívidas no Brasil, eles possuem direitos legítimos sobre os créditos sujeitos ao processo nos EUA. Uma audiência para discutir esse pedido de ingresso está marcada para o dia 22 de junho.

Entenda o tamanho da dívida de R$ 10,5 bilhões

A Ambipar entrou em recuperação judicial em outubro do ano passado com um passivo total de R$ 10,5 bilhões. Desse montante, cerca de R$ 5,4 bilhões pertencem aos investidores estrangeiros, enquanto os bancos detêm cerca de R$ 2 bilhões.

A postura dos bancos tem sido considerada beligerante, com questionamentos frequentes sobre a conduta da companhia que levou ao pedido de recuperação. Enquanto isso, a empresa segue tentando finalizar o acordo com os credores externos para garantir sua sobrevivência financeira.

A fonte original desta notícia é o Estadão e você pode conferir a matéria completa através do link: Bancos tentam barrar nos EUA plano da Ambipar que prioriza credor externo.

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