A taxa básica de juros em torno de 15% ao ano tem pressionado empresas de diversos setores, levando muitas a buscar a recuperação judicial para renegociar dívidas e se reestruturar. Em 2025, o número de companhias que recorreram a esse mecanismo bateu recorde, segundo levantamento da Serasa Experian.

Foram 2.466 pedidos de recuperação judicial no último ano, 13% a mais que em 2024, além de 977 processos que envolvem grupos econômicos, o maior número em dez anos. A economista-chefe da Serasa, Camila Abdelmalack, alerta que o volume de CNPJs em situação de risco está “bastante alarmante”.

O agronegócio se destacou como protagonista, respondendo por 30,1% dos pedidos, enquanto setores como comércio e indústria perderam participação. Dados completos e análise detalhada podem ser conferidos na reportagem do Estadão.

Recuperação judicial em números: recorde e desaceleração do crescimento

O indicador de Falências e Recuperações Judiciais, agora monitorado pela datatech, conta duas métricas: número de empresas que ingressam com pedido e quantidade de processos judiciais. Em 2025, o total de empresas aumentou 13% em relação a 2024, porém o ritmo de crescimento anual desacelerou, passando de 36% em 2023 para 13% no último ano.

Gravidade do cenário comparada a 2016

Em 2016, o país enfrentava recessão, alta inflação e juros elevados, resultando em 1.011 processos de recuperação judicial – o pico histórico. Em 2025, apesar de menos processos (977), a pressão financeira vem da alta taxa de juros que encarece o crédito, dificultando o rolamento de dívidas.

Agronegócio lidera os pedidos de recuperação

Com 743 solicitações, a agropecuária representou 30,1% do total, aumentando 3,8 pontos percentuais frente ao ano anterior. O setor tem ganhado relevância na economia, respondendo por 21% do PIB quando incluídas atividades de beneficiamento, insumos e logística, segundo estudo do Itaú.

Entretanto, riscos climáticos, volatilidade dos preços dos grãos e custos elevados de fertilizantes comprimem margens e fomentam a necessidade de usar a recuperação judicial como ferramenta de renegociação.

Desaceleração e projeções para 2026

Mesmo com o recorde de 2025, especialistas apontam que o crescimento dos pedidos pode estagnar. A taxa Selic, ainda alta (cerca de 12,5% a 13% projetada), e a inadimplência – 8,7 milhões de CNPJs negativados em janeiro – mantêm o ambiente de aperto financeiro.

Especialistas como Rodrigo Gallegos, da RGF, preveem que a recuperação extrajudicial ganhará espaço, pois apresenta custos menores e maior flexibilidade operacional, apesar de ainda representar um volume bem menor que a judicial.

Fonte original: Estadão | As Últimas Notícias do Brasil e do Mundo

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