A cidade de São Paulo vive uma transformação urbana profunda, com prédios altos e apartamentos reduzidos. Em julho deste ano, quase 80% das novas unidades lançadas na capital tinham no máximo 34 metros quadrados.
Essa tendência reflete uma mudança no estilo de vida e nas regras de zoneamento. O estoque de moradias na metrópole agora é composto majoritariamente por unidades que priorizam a localização em vez do espaço interno.
Com mais de 265 mil unidades lançadas desde 2023, o mercado se adapta à realidade financeira e demográfica do país, conforme divulgado pelo Estadão.
Imóveis compactos dominam o mercado imobiliário em São Paulo
O economista Alberto Ajzental, da FGV, explica que o zoneamento favorece esses projetos. Nos eixos de transporte, as regras permitem maior aproveitamento dos terrenos, enquanto outras áreas possuem potencial construtivo limitado.
Outro fator determinante é o programa Minha Casa, Minha Vida. Com novos subsídios, os imóveis compactos tornaram-se acessíveis a mais consumidores, ampliando o espaço para grandes incorporadoras no mercado paulistano.
Fatores que impulsionam a moradia reduzida
A MRV, por exemplo, possui quase todo o seu estoque em São Paulo enquadrado no programa habitacional. Em 2025, a empresa lançou milhares de unidades, sendo que a maioria tinha menos de 39 metros quadrados de área privativa.
Ítalo Pita, diretor da MRV, afirma que “cresce o número de lares unipessoais e de famílias menores, o que amplia a demanda por unidades com metragens reduzidas”, destacando a importância da localização e funcionalidade do projeto.
Segundo o executivo, “a metragem perde protagonismo relativo e cede espaço a atributos como funcionalidade, localização e custo total de ocupação”. Por isso, as áreas comuns, como piscinas e lazer, ganharam mais relevância nos prédios.
Pequenos apartamentos e grandes negócios
Os imóveis compactos também lideram as vendas. Em julho de 2026, unidades de até 34 m² responderam por 64,9% das vendas de imóveis novos. Esse sucesso se deve à capacidade de financiamento do consumidor médio atual.
Eduardo Quintella, do Grupo Direcional, ressalta que ter unidades menores não significa perda de qualidade. Para ele, o desafio do setor é transformar essa limitação de espaço em eficiência de projeto e boa localização.
Ajzental, da FGV, pondera que a escolha é financeira, e não apenas um desejo. “Não acredito que seja um imóvel aspiracional. O público se adaptou a esse produto por causa de suas limitações financeiras”, afirma o economista.
Mudanças demográficas e o perfil do morador
O urbanista Renato Cymbalista, professor da USP, aponta que o aumento de pessoas morando sozinhas contribui para o cenário. Em 2025, o Brasil atingiu o recorde de 15,6 milhões de brasileiros que vivem sozinhos, segundo o IBGE.
Para o especialista, “existe uma correspondência entre a estrutura demográfica da nossa sociedade e aquilo que o mercado está oferecendo”, embora o preço final ainda seja o fator decisivo para o fechamento de contratos.
Mesmo com metragens pequenas, muitos desses apartamentos abrigam duas ou três pessoas, o que reforça a tese de que o fator econômico prevalece sobre a escolha estética ou de estilo de vida puramente minimalista.
Luxo e inovação em metragens reduzidas
No segmento de alto padrão, os imóveis compactos ganham sofisticação. Em Perdizes, unidades tipo studio com pé-direito duplo e mezaninos chegam a custar R$ 700 mil, oferecendo infraestrutura de lazer completa, como spa e sauna.
André Fakiani, CEO da Global Realty, explica que o objetivo é oferecer qualidade de vida em lugares pequenos. Seus projetos mesclam studios de 24 m² com coberturas amplas, garantindo a mesma infraestrutura de lazer para todos.
Essa tendência de compactação parece ter vindo para ficar, moldando uma nova São Paulo onde a eficiência do espaço e a proximidade com o trabalho e serviços valem mais do que salas de estar espaçosas.
A fonte original desta notícia é o Estadão, e você pode conferir todos os detalhes acessando a matéria completa no link: https://www.estadao.com.br/economia/negocios/apartamentos-de-ate-34-m-ja-sao-maioria-entre-os-lancamentos-em-sao-paulo-entenda/







